• AMIGOS QUE SE VÃO, SAUDADES QUE FICAM
    Rubem Porto Jr.

    Todos aqui em nosso Clube sob o impacto da morte de dois de nossos queridos companheiros: Luiz Pinto de Miranda Filho e José Edgard de Moura Stone. Para nós, filatelistas cariocas, estas são perdas irreparáveis.

    A perda de um amigo é sempre dolorosa. A perda de um companheiro como Luiz Pinto de Miranda Filho torna-se ainda mais difícil de ser assimilada por todos nós. Para tristeza de todos, Miranda faleceu em 12 de maio último. Falarmos aqui sobre Miranda é fácil. Tratava-se de um entusiasmado filatelista, daqueles sempre prontos dar início a novas coleções e estudos. Certamente, sua coleção mais premiada foi sua temática sobre as Aves de Rapina. Mas, coleções como a dos aviões da Segunda Grande Guerra enchiam os olhos de quem pode vê-la por sua beleza e cuidadosa montagem. Mais recentemente se dedicou a colecionar a Emissão Bisneta, coleção da qual se desfez após alguns resultados de julgamento com os quais não concordou.

    Passou então a colecionar selos da Alemanha e a este material se dedicava com afinco ultimamente. Miranda era um filatelista que adorava participar de exposições com suas coleções e nelas amealhou inúmeras e merecidas premiações. Miranda, não era daqueles que se escondem quando chamado a colabrar.Ao contrário, sempre se colocava a disposição, dentro de suas possibilidades, para que a filatelia expositiva avançasse. Foi dirigente filatélico, tendo dado sua contribuição ao nosso Clube exercendo a Presidência do mesmo Ainda como dirigente, atuou a nível nacional exercendo a função de Tesoureiro da FEBRAF. Infelizmente, durante este período teve suas maiores decepções com a filatelia tendo sido envolvido no turbilhão de malidicências que até hoje perduram no ambiente filatélico brasileiro. Tudo por ter pretendido contribuir de maneira gentil e simples como era sua forma de ser. Há alguns meses atrás, contra a vontade de seus amigos, mudou-se do Rio de Janeiro para Teresópolis e lá, na fria cidade, sentiu-se mal e acabou por falecer. Homem de trato gentil, de natureza permanentemente alegre, alma de criança e verdadeiro amigo, já sentimos sua falta.

    José Edgard de Moura Stone era um discreto, porém importante colaborador de nosso Clube. Homem de trato gentil, de fala e andar manso, amigo de seus amigos, colaborava com o Clube emprestando sua experiência na área bancária na administração financeira de nossa agremiação atuando de maneira firme na defesa dos interesses de nosso Clube como seu Tesoureiro. Importante colecionador, não era de expor suas coleções, mas delas muito se orgulhava. Ao longo dos anos montou vários conjuntos perfeitamente classificados de carimbos do Império brasileiro. Teve particular orgulho e grande paixão por sua coleção "Diamantina" com peças variadas da cidade mineira. Além dessas vivia comentando a importância de sua coleção de “Blocos do Brasil“.

    Atualmente desenvolvia sua coleção "Vitoriana" de carimbos ingleses do período vitoriano. Além disso, era um colecionador tradicional, buscando completar sua coleção de vários países, alguns exóticos, sempre com cuidado e esmero. Tratava-se de um grande conhecedor das marcas imperiais brasileiras, classificando-as com muita facilidade. Stone era o nosso "Forest Gump". Sua riquíssima experiência de vida lhe permitia ser possuidor de inúmeras e interessantes (algumas hilárias) histórias que trazia de sua vivência do Amazonas onde nasceu e cresceu. Sua forma curiosa, lenta e rica em detalhes de contar suas aventuras e experiências cativava a todos nós. Stone era ainda um apreciador da boa mesa e fazia questão de enriquecer nossos encontros de sábado com suas deliciosas produções caseiras. Além disso, como esquecer do famoso jantar que ofereceu a seus amigos pela passagem de seus 70 anos? Seu exemplo de singelesa e retidão no trato com os amigos é exemplo que deve ficar gravado em nossas mentes. A filatelia carioca fica muito mais triste, pobre e sem graça com a perda deste querido companheiro.

    Entretanto, temos certeza de que assim que estes dois exceopcionais seres humanos resolverem as questões burocráticas relativas as suas chegadas ao céu, estarão eles tentando reunir e organizar seus novos amigos em torno da paixãode ambos: os selos. Deixamos aqui o registro de nossa saudade bem como o agradecimento por tudo que fizeram e por terem sido o que foram, estes companheiros que partiram. Fica aqui, nestas linhas, registrado nosso sincero agradecimento pela contribuição dada por Miranda e Stone ao nosso Clube, aos seus amigos e a Filatelia Brasileira. Mas, mais importante, fazemos questão que fique aqui o registro de nossa já tão grande saudade destes grandes amigos e companheiros.


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