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Comentários de um Colecionador Temático
por João Alberto Correia
Escrevo estas linhas a partir da leitura do trecho do nosso Boletim Eletrônico do Brasil Filatélico de número 41: "Nenhuma coleção juvenil brasileira esteve presente. É hora de discutirmos porque isso aconteceu. Devemos também promover uma discussão que em nosso entender não pode tardar: nossas coleções temáticas precisam ser atualizadas ou mesmo renovadas/repensadas? Como fazer isso?"
Como expositor, desanimado com a falta de visão dos eméritos jurados, acho que posso contribuir com alguma coisa sobre o assunto.
Parece-me que a não participação de coleções juvenis se deve a uma soma de fatores, dos quais poderiam ser destacados:
a) A falta de divulgação da filatelia no âmbito escolar, como um instrumento de apoio para os estudos,
b) A falta de trabalho de motivação dos filatelistas atuantes junto a familiares (filhos, netos, sobrinhos, etc) quanto aos prazeres inerentes à filatelia.
c) A falta de orientação por parte dos clubes e de seus associados a quem procura subsídios para a montagem de uma coleção, ou até mesmo para critérios de colecionismo. Recordo ter escutado de um dos maiores comerciantes de São Paulo, durante a realização da última Sulbrapex, que "eu procuro orientar meus clientes, principalmente os jovens. Mas desisti de encaminhá-los para o clube (não cito qual) pois a última vez que o fiz, disseram à menina que encaminhara que "filatelia é muito complicado, é melhor você se dedicar a suas bonecas" (juro que escutei isso).
Eu mesmo, ao montar minha coleção tive que ir na base do "feeling", pois encontrei pouquissimos colegas que entendessem do assunto e estivessem dispostos a orientar-me.
d) A rigidez dos julgamentos em exposições de, digamos, primeiro nível.
Os senhores jurados não entendem que os tempos mudaram, e que alguma coisa tem que ser feita para que haja maior interesse em participar (cito mais alguma coisa, a seguir, ao falar especificamente das coleções temáticas).
Quanto às coleções temáticas, elas são, no meu modo de pensar, a melhor maneira de divulgar filatelia e incentivar as pessoas a pensarem em montar uma coleção. Deixando de lado a aridez das coleções clássicas, em que há realmente muita pesquisa e onde se encontram peças raríssimas, que deixam qualquer filatelista babando. As coleções temáticas ao desenvolverem um tema, muito se assemelham a um livro bem ilustrado. E podem levar muita gente a pensar em escrever o seu, sobre o tema que lhe interessar.
Acontece que ao se dar grande importância à qualidade do material - raridade, etc..- a pontuação recebida pelo colecionador de posses médias é desestimulante, levando-o a desistir a curto prazo, a não ser que seja muito teimoso. No meu caso especifico, só não desisti ainda por ter recebido em Porto Alegre, durante a SULBRAPEX, o prêmio de público (pena que os correios não continuaram essa atitude de colocar uma urna para votação da coleção mais bonita na opinião do público, tanto aficionados da filatelia como leigos).
O desenvolvimento do tema, a demonstração prática do trabalho de pesquisa efetuado e os conhecimentos filatélicos deveriam ser os itens levados em conta. A raridade, no caso de uma temática, não deveria ser levada em consideração, ou deveria ter um peso muito baixo na avaliação. A pertinência do material com respeito ao tema, isso sim deveria ter muito peso.
Aqui surge um problema, pois, como haja um jurado, que não entenda nada de determinado assunto, pode julgar a não ser que tenha suficiente discernimento para perceber a solidez do trabalho desenvolvido?
Volto a coisas escutadas durante as exposições. Ainda em São Paulo, escutei um jurado declarar que para ele uma coleção temática não devia ter selos, apenas outros tipos de material filatélico. E era uma das eminências - aliás é - do quadro de jurados da FEBRAF!!!.
Agora no Rio, durante a Lubrapex, uma pessoa de minha família que, por acaso, estava olhando minha coleção no momento em que os jurados a examinavam, ficou espantada com os termos e a subjetividade dos conceitos emitidos, do tipo: “para mim não vale nada“, de outro “até que não está tão ruim” e a conclusão: “então vamos dar uma nota média entre o ruim e o bom“.
Ressalto que meus comentários não constituem reclamação ou algo semelhante. Apenas uma tentativa de colaborar quanto ao assunto tão bem colocado no BEBF.
Se não fizermos alguma coisa, e o Clube hoje pode afirmar possuir a melhor revista eletrônica do Brasil, o interesse pela filatelia vai continuar ladeira abaixo.
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