• EDITAIS, ENVELOPES DE PRIMEIRO DIA E FILATELIA: A VOLTA DOS EXCLUÏDOS
    por Eduardo Mello.

    O Colecionismo de editais selados como peças filatélicas e o de envelopes de 1º dia foram e continuam a ser um tanto quanto desvalorizados pela maioria dos que fazem parte da comunidade filatélica brasileira e mesmo mundial. No Brasil este desprezo chegou efetivamente aos correios, que a partir de 1991 descartou o de uso do edital como peça filatélica, ao adotar um modelo de edital menor e encerrar uma tradição de mais de 20 anos.
    A última vítima foi o envelope de 1º dia de circulação, o conhecido FDC, que em meados de 1997, deixaram de ser confeccionados para todas as emissões, sendo desde então feito apenas para determinados lançamentos. Os colecionadores mais fiéis tiveram de recorrer ao envelope “olho de boi” para continuar suas coleções. É interessante notarmos que Portugal, assim como a maioria dos outros países, com uma filatelia bastante avançada, manteve suas emissões de "sobrescritos de 1º dia", e dos editais filatélicos em especial, intocada.
    O purismo filatélico de se dar valor somente às peças filatélicas que efetivamente cumpriram seu papel circulando pelos serviços postais é prático: se fosse encorajado, não haveria espaço suficiente numa exposição filatélica para mostrar coleções filatélicas com editais e FDC's. Mas é lógico que este purismo ao pé da letra, basicamente inviabilizaria a filatelia, pois selos novos sem uso também seriam "desinteressantes", pois não circularam nem cumpriram seu papel postal. Mesmo com todos estes fatos, venho notando um maior interesse por editais e FDC's. Talvez seja pela tremenda queda nos preços das peças. Grandes acervos estão sendo vendidos a preços contados em centavos, possibilitando belas coleções a um preço bem acessível.
    Caso único nas invenções humanas, o selo foi salvo pelo seu colecionismo, pela filatelia. O selo hoje é um objeto de consumo basicamente filatélico. As franquias mecânicas, os inteiros postais e outros processos já teriam substituídos os selos não fosse o lado economicamente viável da filatelia para as administrações postais. Lembro-me bem dos meus primeiros passos na filatelia, no início da década de 80, quando além dos selos, eu adquiria aqueles envelopes vistosos. Posteriormente me dediquei ao edital filatélico, que, se não é a certidão de nascimento do selo, segundo alguns, é o registro de nascimento do selo, com sua motivação e seu histórico.
    A coleção de FDC's oficiais representa todo um processo de evolução. No primeiro período (1965 até 26.04.83, selo RHM 1315/1317), onde havia obrigatoriamente o carimbo de 1º Dia (CPD) e, nos locais de lançamento, o carimbo comemorativo (CBC), buscamos inicialmente um envelope de cada apenas com o CPD. Em um segundo momento, já mais embasados, buscamos o CBC referente a cada lançamento em cada envelope. Na etapa intermediária buscamos CBC's de todos os locais de lançamento. Por fim, nas raias da loucura, envelopes com o CBC de cada uma das 31 Diretorias Regionais naquelas 52 emissões para as quais foram lançados CBC's em todas as DR's.
    Após 26.04.83 o carimbo de primeiro dia (CPD) e o carimbo comemorativo foram substituídos por um carimbo único. Desta forma a coleção ficou mais fácil e as tiragens de FDC's foram crescendo, chegando aos 90.000 em 1988. Depois as tiragens se estabilizaram em 18 a 22.000 peças, baixando para 13.000 em 1995 e para 7.000 em 1997, às vésperas de seu fim como peça filatélica obrigatória para todas as emissões. O colecionismo de FDC's utilizando-se do envelope padrão olho de boi não se tornou corrente, fato para o qual contribui os correios, que, diferentemente de outras administrações postais, não divulgam estes produtos. Eu mesmo não sabia desta vertente e minha coleção está desfalcada de parte do ano de 1997, e todo o ano de 1998, de 1999 e de 2000 (alguém me ajudaria!!!), somente em 2001 é que passei a atualizá-la utilizando o envelope olho de boi.
    Atualmente todas as diretorias regionais recebem os carimbos comemorativos, porém nem todas têm pessoal especializado e exclusivo para a filatelia, fato que inviabiliza o crescimento da filatelia, pois segue-se o raciocínio: "temos poucos filatelistas, logo temos que utilizar o pessoal da filatelia ocioso em outras tarefas". E os filatelistas perdem o estímulo por não terem, na maior parte das Diretorias Regionais, nem atendentes experientes (o famoso rodízio opera contra), nem tempo, nem material.
    O colecionismo de FDC's particulares é outro mundo formidável (muito amplo, é verdade!). A beleza gráfica, os carimbos e a mensagem ideológica de quem fez a peça, muito comum nas interessantes peças confeccionadas durante o regime militar, daria para fazer mais do que uma coleção, uma tese de mestrado! O edital com selo, por sua vez, nem se fala, desde 1991 fomos alijados desta peça filatélica belíssima. Uma mera questão de layout por parte dos correios resolveria o problema dos saudosos colecionadores de editais. Chegamos ao ponto em que editais com selo, valerem bem menos que os próprios selos (com todos os descontos aplicáveis).
    Desde 1968, ano em que passaram a circular timidamente editais mimeografados entre filatelistas, que se fez uso do edital para colocar o selo e o carimbo (CPD e preferencialmente CBC), transformando-os numa bela peça filatélica. Seu desenvolvimento e valorização posterior deveu-se basicamente ao seu colecionismo. Ultimamente, à espera de uma solução melhor, passei a carimbar com o carimbo comemorativo todos os editais da minha coleção. Posto isto, necessário se faz ver a importância do FDC e do edital como incentivadores da filatelia, na medida em que o colecionador sai em busca de carimbos e peças, formando e tomando parte ativa em sua coleção, indo além dos selos em si e aumentando seu amor pela filatelia. Em uma outra vertente, a história postal segue paralela, mostrando nuances dos serviços postais. Na verdade, para uma boa parte das pessoas, colecionar selos de qualquer forma é uma perda de tempo! Qualquer explicação maior sobre tipos de coleções filatélicas, o que é melhor, o que tem ou não valor filatélico, etc., cairiam no vazio, pois somos colecionadores, estes pobres adeptos do hábito de reunir coisas, organizá-las, lhes dando valor e esta é a razão maior para nossas coleções.
    Por fim, o interesse me fez escrever algo acerca do assunto, coisa que não encontrei, estando eu concluindo um "projeto" de catálogo (sem preços, para isto temos a internet!) e guia para a coleção de editais e envelopes de 1º dia de circulação oficiais, relacionando todas as peças, com os dados que consegui amealhar acerca do assunto, tais como tiragens, locais de lançamento de carimbos comemorativos, correspondência com outros catálogos, entre outras informações, incluindo uma parte destinada aos envelopes especiais feitos pelos correios (tais como os da Lubrapex 78, da Brasiliana 79, etc.), que não eram catalogados.
    Toda ajuda é bem vinda. dministrações postais não produzirão selos postais ou produtos filatélicos com o objetivo de explorar seus clientes.


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