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A Criança e o Selo
Compilado por Rubem Porto Jr..
Por natureza a criança está desperta para o que lhe traz novidade. Ela sempre manifesta uma grande curiosidade intelectual e interessa-se por aprender tudo nos vários domínios do conhecimento.
Ainda mesmo sem possuir os códigos da lingua em sua totalidade, ela já ela desenha, esboça mensagens que, à imitação do adulto, pretende enviar aos familiares e amigos.
Estimulá-los a fazer com suas mensagens circulem, não de mão em mão, mas através dos correios, certamente vai faz6e-la sentir-se importante e alegrará seu espiírito.
Vê-la fechando seu envelope e colando o belo selo que permitirá que sua mensagem ganhe o mundo, é certo que causará nela uma grande e positivo impacto.
A sua curiosidade incontida leva-a fazer perguntas.
- Como vai lá chegar? Quando chegará? Para que serve o selo?
E mais perguntas vão surgindo por necessidade de se preparar para a vida.
Montessori insistia no ensinamento de que a criança deveria poder escolher as suas atividades e que elas deveriam receber um ensino que as entusiasmasse e ajudesse a lutar contra o conformismo padrão da sociedade estabelecida e que a espreita a cada momento.
Segundo as correntes que influenciam a educação moderna, a criança, centro e sujeito da educação, está apta para encontrar as respostas às questões que o seu intelecto formula. O mundo das realidades em que ela se movimenta desperta-lhe a curiosidade, mobiliza a sua atividade, proporciona-lhe a alegria de descobrir e encontrar as respostas às perguntas por ela mesma formuladas.
Cabe ao educador favorecer e multiplicar as possibilidades, os mecanismos que, assumidos pela razão, se transformarão em motivos de sua ação.
É essencial cultivar e desenvolver o espírito científico em nossos crianças e em nossos jovens se queremos formar cidadãos livres, criadores e responsáveis.
Investigar e aprender sobre a origem do selo, fará com que ela se empenhe, e certamente, se apaixone pelo trabalho que poderá fazer sozinha ou em grupo, até que consiga se satisfazer com o saber adquirido.
Esta atitude, tanto do seu agrado, deve ser estimulada pelos seus mestres e adultos de seu convívio de modo a que a criança tome consciência daquilo que é, do que procura descobrir.
Crianças gostam de receber o cartas, de abrir a caixa de correspondência e de lá retirar algo que seja seu. Elas gostam, se entendem o significado, de observar o pequeno retângulo colorido, descrever o que nele vê desenhado, cortar e guardar o selo para a sua coleção. É um trabalho que lhe interessa porque tem, em relação ao selo, uma disposição afetiva favorável. "O selo é bonito", traz e leva boas notícias .... "este tem flores", aquele "animais", "monumentos",... "motivos religiosos",... "comemorações",... "Ano Internacional da Criança",... etc. O selo é, em essencia, um veículo de propaganda turística, política e social.
É o momento ideal para aproveitar e habituar a criança a observar, manipular os selos, organizar coleções. Ela procurará imitar o que admira e interessar-se-á pelo mundo que a rodeia gostando de o ver, conhecer, tocar, manejar.
A experiência mostra que estas observações são das mais importantes para a melhor organização da aquisição de um hábito. A criança está na idade ideal para a aquisição de hábitos e sua acumulação, dada a sua elasticidade. Nesta fase da imaginação plástica, da atração pelo real, a criança desperta para a vida social considerando-se e considerando os outros membros do grupo.
O gosto pela Filatelia pode simplificar a tarefa da sua integrarão num grupo, ajudando-a a descobrir a camaradagem, a cooperar com os seus amigos, a manifestar solidariedade, a propor atividades e jogos.
Embora nem todas as crianças possuam aptidões que as tornem disponíveis para esta atividade todas elas podem, através da educação, adquirir capacidades que lhes despertem o entusiasmo e a atração pelo selo.
Esta atividade permite que a criança desenvolva a atenção sensorial, o espírito de observação, o sentido artístico e estético. O selo tem grande interesse educativo, cultural, social, histórico e comercial.
Em educação é essencial cultivar a atenção da criança particularmente através do trabalho. É do desenvolvimento da atenção espontânea e voluntária que a criança chega à reflexão e observação, fatores essenciais de toda a pedagogia.
O educador tem na prática da Filatelia um extraordinário meio de concretizarão do método científico.Através do selo já utilizado, o educador atento e atualizado que pratica métodos ativos, pode aproveitar o esforço conseguido por várias crianças em colaboração e não em concorrência e torná-lo um estímulo valorizado no trabalho em equipe onde cada um contribui com o seu esforço para a obra em conjunto que resulta superior à soma dos contributos individuais que se estimula pela preocupação de trazer algo aos outros. Para isto é preciso dar-lhes meios: espaço, tempo, material, companhia.
A criança abre-se de bom grado a estas atividades de colecionadora que têm grande valor pedagógico. A Unesco calculou em cem milhões o número de colecionadores espalhados pelo mundo.
Devemos, portanto, estimular os educadores a utilizar a filatelia como uma ferramenta útil na missão de despertar, favorecer e incentivar o interesse da criança pelo lado lúdico da vida ao mesmo tempo que certamente estarão sendo a elas transmitidos uma enorme quantidade de ensinamentos nos mais variados campos de aprendizagem.
A filatelia pode ter uma grande importância no aperfeiçoamento da personalidade de nossas crianças. Pode (deve) ser parte no complexo mecanismo de formação de nossas crianças. Crianças que se interessam pela filatelia terão mais chances de tornar mais feliz o seu mundo e seu futuro.
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