• LUZES E SOMBRAS SOBRE A OPEN CLASS
    por: Nino Barberis. Traduzido do Italiano por Biaggio Mazzeo
    publicado originalmente na Revista Temática Filatelia e Cultura No. 154


    Não sei se a "Open Class" já chegou ao Brasil: até o momento, não Ii nada a respeito. Na Itália chegou, há alguns anos, e, em 1998, houve também, uma sessão "oflcial" na exposição mundial "Itália 98".

    Sigo sua evolução desde o principio, na Suécia, depois na Alemanha e, em seguida, na Suiça. As primeiras experiências italianas logo me ensinaram alguma coisa: "Open Class" nasceu, substancialmente, para poder desvincular a filatelia expositiva das rígidas imposições de urn regularnento que diz aquilo que se pode fazer e aquilo que não se deve fazer, aquilo que se pode colocar e aquilo que nãose deve expor.

    Pensando bern, o regulamento acaba por tornar pouco divertida a preparação de uma coIeção. Quando o expositor escreve urn texto ou decide pela inserção de uma peça, não o faz porque gosta mas se questiona se agradará aos jurados. Acaba fazendo uma coleção não para si mesmo mas para outros. 0 resultado é que o filatelista não se diverte mais e, ao que parece, não agrada nem mesmo ao público.

    A própria F.I.P. reconheceu que os visitantes, presentes nas grandes manifestações internacionais, são em número muito inferior ern relação aos gastos necessários para a organização das mesmas. Em outras palavras: assim como elas são organizadas só interessam aos "adeptos do trabalho", isto é, aos filatelistas já conquistados pelo nosso "hobby". Dessa forma, começa faltar a renovação de base e ocorrer escassez de jovens (mas esta é outra conversa).

    Uma possivel solução apareceu: a criação de uma "Open Class", isto é, de uma "Classe Aberta", Iivre para novas idéias e novas soluções, corn coleções mais fantasiosas, não refreadas por um regulamento inflexível, no qual se pode encontrar espaço também para a material não filatelico, aquele que é rigorosamente excluído das coleções convencionais em todas as Classes. Os idealizadores desta "Open Class", de fato, deram-se conta que, amiúde, dentro do próprio material filatélico se encontram peças mais saborosas e mais significativas, que estão em condições de satisfazer o livre capricho dos colecionadores e de atrair, de imediato, a atenção dos visitantes. Em outras palavras: com a "Open Class" objetiva-se urn duplo resultado. Primeiro, atrair novos colecionadores, que antes estavarn a espreita, aterrorizados pelas imposições do Regulamento.

    Uma vez dentro do processo, poderão aprimorar o seu gosto e apreciar, também, os prazeres de uma coleção "especializada", construída exclusivamente com material fllatélico e, sobretudo, "postal". Enfim, oferece-se a estes neófitos a possibilidade de entrar numa filatelia leve e alegre, antes de participar de uma filatelia mais séria e rnais soflsticada. Segundo: oferecer aos visitarites a possibilidade de admirar coleções mais divertidas, mais fáceis, mais "vivas". Devemos admitir que urna coleção clássica, ainda que composta de grandes raridades, aos olhos de um visitante despreparado, não desperta grande interesse. Com este "disfarce", ao contrário, deseja-se atrair um número sempre maior de visitantes, prendendo o seu interesse com coleções dinâmicas, jovens, não convencionais, nas quais as peças filatélicas são habiIidosamente distribuidas junto a outras não fllatélicas para levar avante a assunto escolhido, de uma maneira mais "livre" e, esperamos, mais facilmente compreensível, sem a pressão de se ver somente peças impostas pelo regulamento, que poderiam constranger e forçar manobras dificeis para a entendimento par parte dos observadores e não especialistas. Intenções ótimas e perfeitamente partilháveis, louváveis porque procuram remediar - depois de tê-Io revelado - um "impasse" real do movimento, em termos mundiais.

    Para levar avante esta "Open Class" ainda se necessita de um mínimo de regras a serem observadas porém com ampla liberdade de ação. Na "ltália 98" foi preparado um "Regulamento", que aproveita as experiências já adquiridas e que, ao meu ver, pode muito bem ser tornado como base para a redação de um documento a ser adotado em escala internacional. Pessoalmente, a única coisa que recomendo é no sentido de não se introduzir outros ardis que limitern a liberdade de ação do colecionador. Quando se diz que a material não filatélico deve ser menos de 50% total e que as dimensões dos objetos não filatélicos não devam superar H x L x S, dizemos tudo.

    Na "Itália 98" observei atentamente todas as coleções expostas na "Open Class", procurando avaliar tudo com olhares de "jurado" mas, tarnbém, com o espírito das permissões do regulamento.

    Procurei também, encontrar entre as coleções estrangeiras (seguramente preparadas por filatelistas já habituados neste "new deal"da filatelia), os motIvos que os inspiraram. Enfim, procurei também, avaliar o que se poderia fazer para responder aos conceitos inspiradores deste novo horizonte, que se abre para urn mundo filatélico há muito enjaulado, de certa maneira, nas dezenas de competicões já organizadas.

    Tive a confirmação de que os colecioriadores estrangeiros, em geral, estavam mais adiantados que os Italianos sobretudo pela originalidade do desenvolvimento. Em outras palavras, quase sempre se apresentavam argumentos, difíceis de desenvolver com as peças filatélicas e postais convencionais. Por outro lado, as coleções italianas mostravam, mais ou menos claramente, que se partia de uma "concessão convencional" (isto é, da ldéla de uma colecão temática ou de história postal ou correio mllitar) e se procurava desenvolver o tema de maneira mais IIvre, valendo-se exatamente da possibilidade de inserir uma farta dose de material não filatéllco. Em outros termos: de um lado havia as coIeções da "Open Class" pensadas como tal; de outra parte, coleções "convencionais" adaptadas aos conceitos da "Open Class".

    É óbvio que na avaliação (de um modo ou de outro, mesmo sem chegar aos rigorosos e rígidos júris, aos quais estamos habituados, haverá, sempre, uma comissão julgadora), sempre se levará em conta estas diferenciações.

    Os resultados obtidos, contudo, são bons e não vejo porque se deve considerar mais digna uns solução em detrimento da outra. Será um preconceito que deverá ser banido logo no corneço, antes que se generalize uma situacãode vantagem ou desvantagem, a favor ou contra, de um ou de outro sistema. O importante é que o colecionador e os visitantes, considerem as coleções interessantes e divertidas.

    Em relação as coleções italianas, todavia, não posso deixar de fazer um destaque: o conceito de "Open Class" tende a encorajar novos filatelistas a entrarem em nossas fileiras. Ao contrário, os expositores que estão na brecha há anos, sem ter nunca conseguido obter melhores resultados, se arraigaram nesta nova posslbilidade, transformando colecões já existentes para tentar alcançar uma posição de maior prestígio. Mais estranho ainda, colecionadores já conhecidos que, ainda não satisfeitos com os sucessos obtidos, se arremeteram também, neste novo caminho (comprova a fato que na "Open Class" havia mais coleções expostas sob pseudônimos que em todas as outras Classes de competição).

    Se acho o primeiro caso não concordante com o "espírito" da "Open Class", o segundo por certo é mesquinho e sórdido. Reconheço a todos o direito de fazer uma coIeção nova, livre, divertida e extemporânea, porém, que seja exposta com nome e sobrenorne. Geralmente, os grandes colecionadores sempre se valeram de pseudônimos, par vários motivos, não incluindo os fiscais, preferindo manter o anonimato. Esconder-se atrás de um pseudônimo com uma coleção, que deveria entrar na competição, parece-me verdadeiramente fora de propósito.

    Espero que "Open Class" encontre o seu caminho. Efetivamente, se interpretada e aplicada de modo correto, esta idéia poderá agitar o ambiente. Estou a disposição de quem desejar fazer-me perguntas sobre qualquer pormenor em relação à "Open Class". Ficarei feliz se compartilharem comigo as poucas coisas que aprendi.




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