• FERRUGEM!? DISSERAM FERRUGEM?
    por Guy Podevin
    Jornalista APPF e AIJP - Produtor-Realizador do Jornal Radiofonico "Phllatélie pour Tous"

    Decerto que o Leitor já notou que alguns selos e outras pecas filatélicas da sua coleccão apresentam umas manchas acastanhadas, em especial no verso dos selos e nos contornos do denteado dos selos colados nos sobrescritos antigos e noutras pecas filatélicas.

    Também já ouviu dizer que este fenômeno se designa vulgarmente por ferrugem, a qual ataca os selos de correio, os blocos, os diversos objectos de correspondência, etc. E se o Leitor consultar as páginas dum livro antigo, encontrará o mesmo fenômeno no bordo das respectivas páginas... Todavia, não se trata de qualquer tipo de ferrugem mas sim de colônias de minúsculos fungos papirícolas.

    Existem 32 especies destes fungos da celulose e, entre eles, encontram-se 14 espécies do tipo papirícola, que deixam sobre o papel os pigmentos que lhes são caracteristicos:
    A - Ascomycetios: - o Chaetomium glogosum (manchas amarelas esverdeadas); - o Eidomella papyricola (manchas vermelhas e verdes). B - os Fungiimperfecti:
    B- Esperopridalios: - o Peyronella glomerata (manchas castanhas).
    2. Hyphalios: a) os Dematiacios: - o PuI(ularia pullutans (manchas pretas); - o Cladosporium herbarum (manchas pretas); - o Stemphylium consortiale (manchas pretas); - o Stachybotris atra (manchas cinzentas); - o Alternaria tenuis (manchas violeta). b) os Tuberculariacios: - o Fusariuin culmorum (manchas vermelhas): - o Fusarium sambucinum (manchas amarelas). c) os Mucedinacios: - a Aspergillus terreus (manchas da cor beije); - a Botryclum piluliferum (manchas verdes); - a Vertici/Iius cinnabarnum (manchas da cor ocre).

    Estes fungos adoram a celulose do papel e, também, gomas de origem vegetal e animal (por exemplo. a cola de peixe, utilizada durante a última guerra), os alcatrões, e a nicotina.

    Tratando-se de fungos, é da sua natureza reproduzirem -se por esporos, dos quais a atmosfera está absolutamente saturada e que não pretendem outra coisa se não reproduzir-se... Urn pouco de umidade e... tudo começa !...

    Como prevenir, ao máximo, esta "praga" Desde logo é necessário, caro leitor, que a sua coIeção seja guardada em local arejado ensolarado e sem ponta de umidade! Isto significa que o local em questão deve ser aquecido normalmente, no Outono e no lnverno.

    O leitor deverá abster-se, rigorosamente, de fumar na sala ou gabinete onde se encontram guardadas as coleções e nos locais onde se efetuam as sessões de trocas filatélicas. Com efeito, o fumo infiltra-se por todo o lado e uma imperceptivel camada de alcatrão e de nicotina fica depositada em tudo, o que é suficiente para "dar de corner" aos fungos. Os classificadores e as folhas de albuns que estejam contaminadas devem ser simplesmente destruídas.

    Os responsáveis pelas sessões de trocas nas associações filatélicas devem recusar-se terminantemente, a fazer circular os cadernos de selos que apresentem vestígios de fungos pois que os cadernos isentos destes poderão vir a ser contaminados, conjuntamente com os selos neles existentes e que, por sua vez, irão "infectar" as coleções dos filatelistas que eventualmente manuseiem tais cadernos (ou classificadores).

    O leitor não deverá incluir nos seus álbuns e ou classificadores senão selos e documentos perfeitamente secos. Um pouco de sol pode completar a secagem das peças após a limpeza das mesmas ou a lavagem dos selos usados. Os filatelistas deveriam guardar todos os seus álbuns e classificadores dentro de caixas ou estojos, impedindo, assim, que a poeira penetre neles e, com esta, os esporos dos fungos. Se observarem os seus livros, verificarão que o bordo superior das respectivas páginas é a primeira zona a ser atacada pelos fungos. Os álbuns e classificadores devern ser guardados em móveis fechados isto é, com portas que podem ser de vidro, madeira ou outros materiais, pois isto será uma forma complementar de proteção.

    A sua coleção, caro leitor, deve ser arejada regularrnente, de preferência em época seca. As peças sobre as quais haja a suspeita de terem sido "atacadas" devem ser imediatamente retiradas. Todas estas precauções de arrumação igualmente necessárias - e redobradas, se possivel... - no caso do leitor residir num perímetro de 20 km em relação ao local onde existam indústrias químicas petroliferas e a 60 km pelo menos se a sua residência estiver situada a favor de ventos dorninante em relação àquelas instalações industriais. 0 enxofre e outros produtos semelhantes poderão causar estragos irreparáveis nas suas coleções...

    Eliminaçao dos fungos do papel

    Se os selos sã usados (obliterados), é relativamente fácil destruir os fungos que os atacam e fazer desaparecer os seus vestígios. Um a um, os selos devem ser mergulhados numa solução de água e 20 a 30% de lixívia. O leitor deve deixar agir esta solução vigiando-a atentamente, até que as manchas dos fungos se tornem transparentes. Então, o selo deve ser imediatamente retirado desta solução de água/lixívia e mergulhado, com a ajuda de uma pinça, numa taça grande com água limpa, que deve ser renovada sempre que necessário e sem hesitação. 0 selo deve ser agitado, com cuidado, dentro da taça com água pura, com a ajuda da pinça, até uma perfeita e completa lavagem deste.

    A secagem deve ser feita em seguida, sobre urn mata-borrão branco, corn a parte impressa do selo virada para baixo, isto é, para o mata-borrão base. Para os selos novos, o processo é mergulhá-Ios alguns instantes em tricloroetileno: (*) a goma será preservada. Com este processo, as rnarcas de alguns fungos desaparecerão; noutros, a sua proliferação será estancada. Se as manchas persistirem (o que geralmente acontece), não resta outra solução senão dar aos selos novos o mesmo tratamento dos selos usados, perdendo-se, naturalrnente, a goma...

    Mas a verdadeira ferrugem também existe...
    Nas prirneiras cadernetas ("carnets") de selos postais, impressas tipograficamente, a Iigacão da capa da caderneta aos selos propriarnente ditos, era feita mediante a aplicacão de grampos de ferro. Se estas cadernetas se rnantiverern guardadas em ambientes sujeitos a umidade, os grampos oxidam e criam, então, a verdadeira ferrugem. Esta ferrugem incrusta-se, geralmente, na superficie da folha onde é aplicado o grampo.

    A operacão a considerar, neste caso, é a de Iimpar cuidadosarnente o grampo de todos os vestígios de ferrugem e de raspar, corn a major precaução, a zona do papel ou da cartolina atingida pela ferrugern, para retirar o óxido de ferro aí depositado.

    Copyright: GUY PODEVIN Traducão do original frances: Vitor Falcgo

    (*) NT: Cl-IC VCC1 2 Liquido volátil usado como solvente. E tambdm urn anestésico eficaz, sobretudo em pequenas intervenções.





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