• REGULAMENTO ESPECIAL PARA AVALIAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES NA CLASSE LITERATURA
    por Clube Filatélico do Brasil

    Artigo 1

    Exposições de Competição

     

    De acordo com o Artigo 1.4 do Regulamento Geral da FIP para a Avaliação de Participações em Exposições FIP (GREV), foi estabelecido o presente Regulamento Especial com vista a complementar aqueles princípios, no que respeita à Classe de Literatura Filatélica. Deve igualmente recorrer-se às Directrizes (Guidelines) para a Classe de Literatura Filatélica.

    Artigo 2

    Participações

     

    A Literatura Filatélica compreende todas as comunicações impressas ao dispor dos coleccionadores, relativas a selos postais, história postal e seu coleccionismo, bem como qualquer das áreas especializadas relacionadas com aquelas matérias.

    Artigo 3

    Princípios de Composição da Participação

     

    A Literatura Filatélica dever subdividir-se como segue:

    1)

    Manuais e Estudos Especializados

    a)

    Manuais

    b)

    Monografias

    c)

    Artigos de pesquisa especializada

    d)

    Bibliografias e trabalhos especiais similares

    e)

    Catálogos de exposições

    f)

    Catálogos especializados que, para além das emissões de um ou mais países, refiram as variedades, obliterações ou outros aspectos especializados.

    g)

    Transcrições de palestras filatélicas apresentadas em publico (incluindo textos de peças radiofónicas, televisivas, filmes e diapositivos).

    h)

    Trabalhos especiais similares.

    2)

    Catálogos Gerais

     

    Catálogos mundiais, regionais e locais que, pela sua natureza, não devam ser classificados como catálogos especializados.

    3)

    Periódicos Filatélicos

     

    Revistas e jornais filatélicos, órgãos de associações, órgãos de casas comerciais, anuários e publicações análogas.

    4)

    Artigos

     

    Artigos de natureza geral, inseridos em publicações filatélicas ou não filatélicas.

    Artigo 4

    Critérios para a Avaliação de Participações

    4.1

    As participações de Literatura Filatélica devem ser avaliadas de acordo com os seguintes critérios:

     

    - Tratamento do assunto

     

    - Originalidade, importância e profundidade da pesquisa

     

    - Aspectos técnicos

     

    - Apresentação

    4.2

    O critério "Tratamento do assunto" obriga a uma apreciação do estilo literário, clareza e facilidade de comunicação, revelados na participação.

    4.3

    O critério "Originalidade, importância e profundidade da pesquisa" obriga a uma apreciação da importância global do assunto tratado na participação, bem como do grau em que o mesmo apresenta descobertas originais, pesquisa, análise ou contribuições para um claro entendimento do assunto tratado.

    4.4

    O critério "Aspectos técnicos" obriga a uma apreciação de aspectos tais como: frontispício e impressão, paginação, ficha técnica, bibliografia, índice e utilização de ilustrações.

    4.5

    O critério "Apresentação" obriga a uma apreciação da capa, dos aspectos tipográficos e de outros factores de produção utilizados para facilitar o uso da publicação. Para evitar a que prevaleça o impacto dos aspectos puramente comerciais, este critério só deve ser tido em conta na medida em que represente um factor negativo.

    Artigo 5

    Apreciação das Participações

    5.1

    As participações de Literatura Filatélica serão apreciadas por especialistas qualificados na respectiva área e em concordância com o disposto na Secção V (Art. 31- 47) do GREX ( ref. GREV – Art. 5.1).

    5.2

    Para orientação do Júri e no sentido de uma avaliação equilibrada das participações de Literatura Filatélica são estabelecidos os seguintes termos de pontuação (ref. GREV- ref. 5.1) :

    Tratamento do assunto

    40

    Originalidade, importância e profundidade da pesquisa

    40

    Aspectos técnicos

    15

    Apresentação

    5

    Total

    100

    Artigo 6

    Disposições Finais

    6.1

    Na eventualidade de existência de alguma discrepância no texto, resultantes da tradução, prevalecerá a versão inglesa.

    6.2

    O Regulamento Especial para a Avaliação de Participações de Literatura Filatélica em Exposições FIP, foi aprovado pelo 54º Congresso FIP, a 5 de Novembro de 1985, em Roma. Este Regulamento entra em vigor em 5 de Novembro de 1985 e aplica-se a todas as exposições que solicitem o patrocínio, auspícios ou apoio da FIP a partir daquela data.

    Normas Suplementares para a Classe de Literatura Filatélica em Exposições FIP

    Norma 1

    As presentes normas suplementares, para admissão de participações de Literatura Filatélica, foram desenvolvidas de acordo com o Art. 4.9 do Regulamento Geral de Exposições FIP (GREX) e são aplicáveis a todas as participações de Literatura Filatélica em Exposições Gerais e Especiais FIP (GREX Art. 2).

    Norma 2

    Por extensão do Art. 16.1 (GREX), as inscrições podem ser apresentadas pelo autor, compilador, editor, director, organização ou sociedade responsável pela publicação, ou qualquer outra entidade individual detentora dos direitos de propriedade.

    Norma 3

    Uma participação de literatura filatélica pode ser admitida desde que o expositor, tal com o foi definido na anterior Norma 2, satisfaça a qualificação exigida no GREX Art. 9.1. Trabalhos recentemente publicados, que ainda não tiveram oportunidade de ser expostos numa Exposição Nacional, podem participar directamente numa exposição FIP. (Renúncia do GREX Art. 9.3, ao abrigo do GREX Art. 4.9).

    Norma 4

    Para a inscrição na Classe de Literatura Filatélica será utilizado um formulário separado. Neste deverão constar, para além das informações necessárias à Comissão Organizadora da Exposição, a data de publicação, o nome do editor, o número de páginas, a periodicidade de publicação (para os periódicos) e indicações quanto à forma de proceder para obter a mesma publicação (endereço e preço).

    Norma 5

    O expositor deverá fornecer dois exemplares de cada participação de Literatura Filatélica: um para classificação e outro para a sala de leitura, de acordo com o Artigo 6.7 do GREX. Um exemplar será depois enviado pela Organização da Exposição ao Secretariado da FIP, para a sua biblioteca, e o outro exemplar deve ser destinado à biblioteca da federação nacional do país onde se realiza a exposição, a menos que o expositor especificamente solicite a devolução dos dois exemplares.

    Norma 6

    A taxa de inscrição de uma participação de Literatura Filatélica deve ser equivalente ao preço de um quadro na Classe de Competição da mesma Exposição.

    Norma 7

    A Comissão Organizadora da Exposição fornecerá aos Jurados uma lista das inscrições de Literatura Filatélica, pelos menos com três meses de antecedência, relativamente à data de realização da Exposição.

    Norma 8

    Os Manuais e Estudos Especiais não podem ter mais de cinco anos de publicação, em relação ao ano de realização da Exposição.

    Para todas as outras participações, a data de publicação não pode ser superior a dois anos, em relação ao ano de realização da Exposição. Para trabalhos constituídos por mais do que um volume, será considerada a data de publicação de cada um deles. As edições revistas serão consideradas como novas publicações. Para os periódicos deve ser exposto o volume ou o ano completo de publicação mais recente. No que se refere aos artigos publicados em jornais e para efeitos de participação, é exigida uma selecção de, pelo menos, dez artigos diferentes.

    Norma 9

    As medalhas da Classe de Literatura Filatélica terão gravada, quer de forma abreviada quer por extenso, a palavra "Literatura". As participações de Literatura Filatélica também podem ser elegíveis para prémios especiais (Art. 7.5 GREX).

    Norma 10

    Os jurados de Literatura Filatélica devem ter a capacidade de leitura de, pelo menos, duas línguas, uma das quais deve ser uma das cinco línguas oficiais da FIP (Artigo 27.1 dos Estatutos).

    Norma 11

    Na eventualidade de existência de alguma discrepância no texto, proveniente da tradução, prevalecerá a versão inglesa.

    Norma 12

    As Normas Suplementares para a Classe de Literatura em Exposições FIP foram aprovadas pelo 54º Congresso FIP, a 5 de Novembro de 1985, em Roma. Estas Normas entram em vigor em 5 de Novembro de 1985 e aplicam-se a todas as exposições que solicitem o patrocínio, auspícios ou apoio da FIP a partir daquela data.

     

    Diretrizes para Avaliação de Literatura Filatélica

    Introdução

    As presentes directrizes foram elaboradas com a intenção de constituírem um guia, suficientemente detalhado, para utilização em exposições especializadas de Literatura Filatélica, bem com em exposições filatélicas gerais, em que a literatura seja uma das várias classes.

    Princípios Gerais

    Se bem que a maior parte dos princípios estabelecidos para as participações de Literatura Filatélica seja idêntica aos aplicados às outras classe filatélicas, existem, no entanto, certas diferenças acentuadas.

     

    Em primeiro lugar, o significado e importância de uma peça de Literatura não podem ser observados exteriormente. A Literatura tem que ser avaliada, pelo seu conteúdo e, evidentemente, os jurados têm que estar familiarizados com esse conteúdo antes do início da Exposição.

    No decurso dos três a cinco dias disponíveis para a avaliação, poderá haver tempo que permita uma revisão e alguma leitura, mas não é, de modo algum, suficiente para que cada jurado leia, de uma ponta à outra, cada uma das participações.

     

    Em segundo lugar, as participações de Literatura não podem ser desmontadas e melhoradas de uma exposição para a seguinte. Em muitos casos, a participação é o resultado de uma vida de pesquisa e trabalho, que servirá a Filatelia durante os anos vindouros. Por esta razão, a apresentação da Literatura Filatélica tem que ser olhada, prioritariamente, como um meio de encorajar e promover os trabalhos literários e, só secundariamente, como uma competição, visando alcançar os diversos níveis de prémios.

     

    Em terceiro lugar, é evidente que o público deve poder examinar as participações de Literatura. Uma rápida olhadela sobre uma fila de livros, encerrados numa estante trancada, oferece bem pouca informação e é um mau serviço prestado ao visitante e ao expositor...É o conteúdo que interessa e não as capas...

     

    A FIP consagrou um vasto conjunto de regras para a avaliação de participações filatélicas, integrando princípios comuns a todas as classes de competição. Para a Literatura Filatélica, aqueles princípios encontram-se expressos no Regulamento Especial para Avaliação das Participações de Literatura Filatélica em Exposições FIP. São completadas, por disposições que reconhecem os aspectos particulares e únicos desta classe, as Normas Suplementares para a Classe de Literatura Filatélica em Exposições FIP. Os dois documentos referidos, tomados no seu todo, estabelecem as condições essenciais para a apresentação e avaliação da Literatura Filatélica em Exposições FIP.

    Utilização do Sistema de Avaliação

    A utilização de um sistema de pontuação, conjuntamente com "folhas de pontuação" apropriadas, pode ser uma boa ajuda para se conseguir avaliações justas e equilibradas.

    No entanto, é necessário acentuar que este sistema não pode ser aplicado automaticamente: a pontuação final a atribuir, também deve ser encarada em função da qualidade global das participações.

     

    Talvez seja útil, nesta altura, oferecer alguns exemplos concretos da utilização deste sistema de pontuação. Estes exemplos não são tirados de resultados actuais de um júri; são, todavia. representativos das avaliações alcançadas, durante as deliberações dos jurados.

    1)

    História Postal dos Agentes Transitários, de Ken Rowe; editado em 1984 por L. Artmann:

     

    Tratamento do assunto (máximo 40 pontos)

    36

     

    Apresentação muito clara de um difícil assunto mundial; O livro é fidedigno e de fácil consulta.

     

    Originalidade, importância e profundidade da pesquisa (máximo 40 pontos)

    38

     

    Nota particularmente alta para a originalidade; Rowe é o primeiro a tratar sistematicamente este aspecto da História Postal (em 1966 e, de novo, em 1974) inspirando outros estudiosos a efectuar pesquisas similares. A matéria é também de considerável importância.. Trabalho bastante minucioso, considerado o seu âmbito mundial. Porém, o recente trabalho de Dromberg sobre os Transitários Finlandeses, menciona alguns importantes agentes transitários não referidos por Rowe.

     

    Aspectos técnicos (máximo 15 pontos)

    12

     

    Alguns problemas no índice e na colocação de anotações

     

    Apresentação (máximo 5 pontos)

    4

     

    Total:

    90 (Ouro)

    2)

    O Filatelista Estónio n.º 30 (1984).

     

    Publicação anual da Sociedade de Filatelistas da Estónia, na Suécia e da Sociedade Filatélica da Estónia em New York. Editado por Elmar Ojaste. 288 páginas.

     

    Tratamento do assunto (máximo 40 pontos)

    34

     

    Bem escrito e bem redigido, de uma maneira geral, com um bom uso de ilustrações e mapas. Muitos dos artigos são em diversas línguas ou, pelo menos, os sumários são multilingues. Nem todos os artigos estão ao mesmo nível de clareza e rigor técnico.

     

    Originalidade, importância e profundidade da pesquisa (máximo 40 pontos)

    32

     

    Este periódico é uma fonte crítica para a Filatelia da Estónia e contém muita matéria original. Esta edição particular apresenta vários artigos transcritos de outras publicações e, também, nem tudo é matéria filatélica : contém alguns artigos de numismática e de erinofilia

     

    Naturalmente que um simples periódico não pode ter a profundidade do recentemente publicado Manual de Filatelia da Estónia; no entanto, deve ter-se em atenção que, muita da matéria contida neste manual foi, originalmente, desenvolvida nas páginas daquele periódico.

     

    Aspectos técnicos (máximo 15 pontos)

    14

     

    Apresentação (máximo 5 pontos)

    4

     

    Ocasionais falhas na impressão offset, afectando a legibilidade das ilustrações e documentos reproduzidos.

     

    Total:

    84 (Vermeil)

     

    Deve ter-se em conta que os comentários acima transcritos, visam sugerir o processo mental seguido para alcançar uma avaliação "numérica". É necessário salientar dois aspectos deste processo:

     

    Primeiro, os jurados devem atender, antes de mais nada, aos aspectos positivos das participações, em lugar de se perguntarem "quantos pontos posso eu tirar...". Segundo, todas as avaliações devem ser feitas numa base de comparação, relativamente a saber-se que mais foi publicado acerca deste assunto e até que ponto determinada publicação é significativa, para um país ou grupo linguístico quando comparada com outras. Estes factores de comparação podem alterar-se, totalmente, de um ano para o outro ou de uma exposição para outra, sendo concebível que, tais alterações, possam afectar a avaliação de uma participação.

     

     




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