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OS FÓSSEIS NA FILATELIA
por Rubem Porto Jr.
A divulgação científica para um público genérico é essencial para o reconhecimento
das ciências e uma necessidade para aqueles que a elas se didicam. Divulgar ciência não é tarefa
fácil, mas vários são os meios de se chegar ao grande público, como, por exemplo, através da
filatelia. A paleontologia o ramo da Geologia que se dedica ao estudo dos fósseis,
principalmente nos últimos anos, vem se aproveitando muito bem dos selos como fator de
divulgação de suas descobertas e conquistas aqui no Brasil mas, também, e principalmente, no
exterior.
Tema que ganha amplitude como elemento de coleção, os primeiros selos de fósseis podem ser
localizados a partir do início da década de 50, quando a Índia emitiu um selo comemorativo
ao centenário do Serviço Geológico Indiano, com a figura de dois elefantídeos da espácie
Stegon ganesa. Seguiram-se, ainda por essa época, outras emissões, como o selo que representa
um amonita (Berbericeras sekikense), emitido pela Argélia em 1952, em comemoração à realização
naquele país do XIX Congresso Geológico Internacional.
Ainda na década de 50 temos uma emissão
chinesa, de 1958, com três valores representando diferentes períodos geológicos, através de
fósseis de um trilobita, um dinossauro e de um cervo. Ainda, neste mesmo ano, temos uma emissão
da Suíça em que um dos valores é representado também por um amonita e outro por um fóssil de
salamandra.
Na década seguinte o número de emissões sobre o tema aumentou de maneira progressiva
e substancial. Houve também uma sensível melhora na qualidade da representação, no grafismo e
na variedade dos fósseis representados. Mais recentemente (década de 90) inúmeras emissões
tem aparecido, talvez até com um certo excesso, representando o tema em suas mais diversas
modalidades. São fósseis de peixes, plantas, crustáceos, mamíferos, dentre tantos outros,
existindo, entretanto, um destaque absoluto para aqueles que retratam os dinossauros.
Em um plano geral, temos emissões de inegável valor científico e filatélico, que primam pela
qualidade da informação e representação. Exemplo disso é a série emitida pela Inglaterra em
1991 comemorando os 150 anos de nascimento E. Owen, pesquisador que denominou e caracterizou
primeiramente
os dinossauros. São 5 selos representados por esqueletos reconstruídos a partir de ossos
fossilizados e que caracterizam cinco tipos distintos da espécie: Iguanodonte, Stegossauro,
Tiranossauro, Protoceraptos e um Triceraptos. Esta emissão prima pela beleza da concepção
e da realização gráfica. Outro destaque, pela concepção e beleza, é a série emitida em 1988
pelos correios ingleses para o British Antartic Territory, onde nada menos de 16 selos versam
sobre a fauna e flora dos Tempos Fanerozóicos. O Canadá, mais recentemente, concebeu três
emissões em anos contínuos (92, 93 e 94) onde, a partir da representação em quadras, apresenta
as características da vida nas Eras Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica. Registre-se aqui, neste
caso, o planejamento de médio prazo levado a cabo pelo correio canadense na divulgação de tema
de grande apelo e na constituição de uma emissão que atende tanto ao público leigo quanto ao
público mais especializado.
Do ponto de vista da concepção temática abordada de maneira menos
usual do que aquela que apenas apresenta os fósseis, lembramos a série emitida pelo Lesotho em
1986, onde em selos (cinco) de belíssima concepção temática e gráfica, apresenta a
reconstituição de pegadas fósseis encontradas na região Moyens, agregando a figura do
dinossauro que imprimiu tal feição de forma suavisada.
Especificamente versando sobre a fauna
Cretácica da Era Mesozóica, representada pelos dinossauros, existe hoje uma enormidade de
emissões, algumas de boa e outras (talvez a maior parte) de má qualidade. Devemos, entretanto,
realçar aquelas emissões que tratam a questão com rigor científico e com qualidade gráfica.
Assim cabe dar destaque, além das já citadas, às seguintes emissões: Alemanha Oriental,
emissão de 1982 (cinco selos e bloco) e Estados Unidos, emissão de 1992 (quatro selos em quadra).
Hoje pode-se afirmar que pela quantidade de emissões existentes sobre a vida pré-histórica, este
é um dos temas de maior apelo no mundo da filatelia temática. Selos sobre o tema já foram
emitidos por mais de 80 países totalizando mais de 500 selos e blocos nos quais mais de 200
gêneros de animais fósseis, em grande maioria, estão representados.
No Brasil demoramos (como quase sempre!) a perceber o potencial temático da nossa fauna
fossilizada. Apesar de termos boa parcela de nosso território formado por bacias sedimentares,
que contem as rochas que permitem o processo de fossilização, somente em 1975 foi emitido o
primeiro selo referente ao tema. O selo em questão, ilustra uma concreção calcárea da Chapada
do Arararipe (bacia do Araripe, sertão nordestino no interstício de três estados: Ceará, Piauí
e Pernambuco) e representa um fóssil de peixe que viveu na região na Era Mesozóica, durante o
período Cretácico a cerca de 80 milhões de anos (Vinctifer comptoni). O curioso, e ao mesmo
tempo lamentável, é que o selo
integra uma série sobre Arqueologia Brasileira, o que por si só já demonstra um equívoco
científico pois, a paleontologia, trata de fósseis (registros com pelo menos mais de 50.000 anos)
e estes, os fósseis, não são tratados pelos arqueólogos, a não ser os mais recentes em geral
de hominídeos.
Mais recentemente entrando um pouco na onda dos dinossauros, o Correio brasileiro
emitiu outras séries que realçam características típicas dos dinos brasileiros, mas que talvez
pequem pela utilização de imagens dos mesmos pouco atrativas, perdendo os selos com isso, um
maior apelo visual e temático. A primeira emissão, do ano de 1991 ( série Museus Brasileiros),
representa dois tipos de dinossauros (Terópode e um Saurópode) da coleção do Museu Nacional.
Os selos integram uma série de quatro selos e foram lançadossob forma de "se tenant". Em 1994,
um nova emissão retrata os fósseis de dinossauros encontrados na região do SW de Minas Gerais.
São selos, comparativamente com outros selos emitidos sobre o tema por outros países, que
apresentam uma boa concepção temática, mas que é de pobre produção gráfica (desenho e tipo de
papel), mas não contêm senões científicos que podem ser encontrados em emissões de outros países.
Uma emissão seguinte de 1995, nos premiou com um selo que atendeu a uma ótima concepção, com
reconstituição do ambiente em que viviam, além de um interessante carimbo comemorativo que
envolvia a presença de ovos de dinossauros fossilizados, realçando o caráter ovíparo desses
animais. Cabem aqui, entretanto, as memas restrições quanto ao tipo de papel utilizado e também
à concepção gráfica já que os selos parecem esmaecidos em sua coloração. Por fim recentemente,
1999, uma nova emissão envolvendo dinossauros foi apresentada ao público representando a
espetacular presença de pegadas fossilizadas da região do sertão do Piauí. Comparativamente
à emissão do Lesotho, esta emissão fica muito a dever. Além de graficamente ser menos atraente,
apesar de ser, entretanto, a mais atraente das emissões de dinossauros feita pelo correio
brasileiro, uma parte substancial
do selo foi tomada por uma sigla que nada tem a ver com o Brasil, seus dinossauros ou com a
ciência brasileira. De qualquer forma, as emissões brasileiras, tem, além do motivo temático
óbvio, cumprido seu papel de divulgação científica de um assunto que, com mais facilidade do
que outros, chega ao público em geral.
Nossa espectativa é de que, finalmente, a ECT entenda
a necessidade de manter canais com os meios científicos que permitam uma contínua divulgação
dos avanços e descobertas da ciência brasileira. Existe um grande apelo temático em tais
conquistas, desde que saibamos todos (cientistas, filatelistas e correios) tratar a filatelia
também como um elemento de divulgação científica.
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