• O ANO INTERNACIONAL DAS MONTANHAS
    por Rubem Porto Jr.

    A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) definiu, a partir de resolução tomada em fins de 1998, que o ano de 2002, seria o Ano Internacional das Montanhas. Além disso, 2002 seria, também, o Ano Internacional do Ecoturismo.

    A institucionalização desta data envolveu uma enorme gama de organismos internacionais e nacionais, governamentais e não governamentais além das agências oficiais da própria ONU. O ambiente relacionado às montanhas envolve importantes áreas, todas fundamentais ao equilíbrio ambiental.

    As montanhas são locais importantes na evolução e renovação do ciclo hidrológico, na localização e fixação de espécies endêmicas, além de, em alguns pontos, representar o "habitat" natural de várias culturas.

    A intenção da ONU, quando da definição de 2002 como o Ano Internacional da Montanha, surgiu de a partir de intenso processo de discussão que teve seu início ainda na cúpula mundial RIO 92. Foi nesta reunião que foram estabelecidos os pontos mais fundamentais relacionados a preservação ambiental anível mundial, concentrados na denominada AGENDA 21.

    Um dos pontos desta agenda afirma que as montanhas devem ser tratadas como espaço importante no debate global sobre meio ambiente, sendo elas um espaço determinante na associação com as mudanças do clima, tendo influência nos processos de desertificação e de destruição florestal.

    Com base nestas premissas a Administração Postal da ONU (em suas três sedes: N. Iorque, Genebra e Viena) definiu o lançamento de vasto material filatélico que envolve a produção de três tipos de Máximos Postais, três Envelopes de Primeiro Dia, além de três blocos (que totalizam 12 selos diferentes).

    Nos selos estão representadas tanto montanhas conhecidas e significativas do mundo quanto outras quase desconhecidas. Não é preciso dizer que não há, dentre elas, nenhuma montanha brasileira. Em verdade, há apenas uma montanha latino-americana representada na emissão.

    As montanhas representadas são: Monte Fuji-Ama de 3776 metros (Japão), Weisshorn de 4505 metros (Suíça); Kamet de 7756 metros (Índia); Maciço Vinsson de 4897 metros (Antártica); Kilimandjaro de 5895 metros (Tanzânia); Khan-Tengri de 7010 metros (Kyrgyzstão); Grande Paine de 3050 metros (Chile); Monte Foraker de 5304 metros (EUA); Monte Robinson de 3954 metros (Canadá); Monte Cook de 3754 metros (N. Zelândia); Rakaposhi de 7788 metros (Paquistão) e Sagarmatha ou Monte Everest com 8850 metros (fronteira Nepal/Tibete), sendo este o pico mais alto do planeta. Todos os montes foram fotografados pelo japonês Yoshikazu Shirakawa.

    A emissão de todo o material filatélico foi feita em 24 de maio de 2002 e estará disponível por um bom tempo podendo ser adquirida diretamente na ONU através de seu website www.onu.org. Os valores dos selos são: 0,22; 0,51 Euros; 0,34 e 0,80 Cents de dólar americano e 0,70 e 1,00 francos suíços.

    Parece que a prioridade foi apresentar montanhas nevadas. Todas as montanhas retratadas nos selos assim o são. Algumas não são as mais altas, nem as mais belas, mesmo em suas localizações geográficas. Outras não são as mais representativas da região. Enfim, não se sabe qual o critério utilizado na escolha das montanhas representadas. De qualquer forma trata-se de uma bela emissão.

    Que tal os Correios do Brasil pegar a idéia e lançar uma série que represente algumas de nossas montanhas? Que tal o Pico da Neblina, Pico das Agulhas Negras, Pico da Bandeira e o Pico Dedo de Deus? Mas nada de imagens tratadas. Boas fotos são muito mais representativas do que algumas paisagens retratadas recentemente pelo Correio brasileiro. Ou você acha que a praia do Careca em Natal é tão sem graça quanto aquilo que está representado no selo emitido a pouco tempo atrás?










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