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OS SELOS MARMORIZADOS DO BRASIL
por Antonio Paulo Ribeiro.
Dentro do colecionismo de selos brasileiros, os selos chamados de "marmorizados" estão, cada dia mais, ganhando novos adeptos. Muitos filatelistas estão tentando completar sua coleção de marmorizados, mas dentre os 148 conhecidos há alguns muito raros e escassos. Outra grande dificuldade é que não se sabe ao certo qual é o número existente de muitos marmorizados catalogados. Fala-se, em alguns casos, de uma folha, mas não se sabe se toda a folha era marmorizada ou só parte dela. Assim as dúvidas entre os colecionadores e até entre os comerciantes são muito grandes e com isto não se tem uma noção precisa da raridade, bem como a grande incerteza de aquilatar o real valor de cada selo.
Para definir o que é papel marmorizado, vamos reproduzir parte de um artigo publicado no Informativo Fontoura Wieth de agosto de 1990 e escrito pelo saudoso jornalista filatélico J. L. de Barros Pimentel: "Não se trata de papel diferente, nem de filigrana curiosa, mas tão somente de defeito de fabricação do papel. Em visita que fizemos recentemente às Indústrias Klabin, na Capital, por deferência especial do diretor da firma, Sr. J. Klabin (veterano numismata) e, acompanhado de um dos engenheiros da firma, tivemos oportunidade de verificar "in loco" a fabricação do referido papel, conhecido como gessado ou couché. O papel ainda em bobina, úmido, recebe em máquina especial o banho de substancia leitosa constituída de caolim e caseína (fixador). Após o banho, a folha de papel sofre o tratamento de uma série de escovas, as quais agindo num vai-vem constante espalham aquela substancia uniformemente. Quando, por acaso, essas escovas deixam de trabalhar alguns instantes, a substancia não é espalhada convenientemente e o papel sai então com aquele aspecto que congnominaram de "marmorizado".
Esse pedaço de bobina com papel marmorizado não tem lugar fixo, pode ser no início, no meio ou no fim da bobina e como a bobina é entregue à Casa da Moeda pelo fabricante, não é possível desenrola-la para verificar onde o papel ficou defeituoso. Tal papel é classificado no fábrica como "refugo". Cumpre a Casa da Moeda, após a emissão de qualquer selo impresso naquele papel, separar as folhas que tenham coincidido na parte defeituosa, incinerá-las e não colocá-las à venda com o restante da emissão, para depois aparecerem no mercado por preços altíssimos."
Na verdade é muito difícil para os funcionários dos Correios conseguir identificar uma ou mais folhas que se apresentam marmorizadas dentro de um pacote de folhas. Só o olhar atento de um filatelista seria capaz de separar as folhas que apresentassem a característica de "veios de mármore" que identifica esse papel.
Também o "defeito" pode aparecer em parte ou em toda a folha o que dificulta mais ainda a identificação.
Listamos, abaixo, os selos "marmorizados" catalogados até hoje; são:
| COMEMORATIVOS |
| 384Y |
385Y |
386Y |
388Y |
392Y |
393Y |
393AY |
394Y |
| 395Y |
400Y |
400AY |
407Y |
420Y |
422Y |
424Y |
426Y |
| 429Y |
430Y |
439Y |
450Y |
459Y |
461Y |
462Y |
464Y |
| 465Y |
466Y |
467Y |
469Y |
470Y |
471Y |
472Y |
483Y |
| 487Y |
488Y |
489Y |
490Y |
492Y |
493Y |
494Y |
495Y |
| 496Y |
511Y |
512Y |
514Y |
515Y |
516Y |
517Y |
518Y |
| 519Y |
520Y |
522Y |
523Y |
524Y |
525Y |
526Y |
527Y |
| 528Y |
529Y |
530Y |
532Y |
533Y |
534Y |
535Y |
536Y |
| 537Y |
538Y |
539Y |
540Y |
541Y |
542Y |
544Y |
545Y |
| 546Y |
547Y |
550Y |
553Y |
554Y |
556Y |
561Y |
565Y |
| 570Y |
574Y |
575Y |
576Y |
578Y |
581Y |
584Y |
585Y |
| 587Y |
589Y |
590Y |
592Y |
594Y |
607Y |
640Y |
658Y |
| 666Y |
673Y |
674Y |
688/700Y |
691Y |
698Y |
701Y |
702Y |
| 703Y |
711Y |
712Y |
713Y |
715/16Y |
721Y |
722Y |
727Y |
| 732Y |
733Y |
746Y |
747Y |
752Y |
754Y |
756Y |
769/72Y |
| REGULARES |
| 512Y |
513Y |
514Y |
520Y |
| AÉREOS |
| 79Y |
80Y |
81Y |
82Y |
83Y |
84Y |
85Y |
| 94Y |
97Y |
105Y |
107Y |
108Y |
109Y |
110Y |
O total de peças marmorizada é de 148, sendo 126 selos comemorativos, 4 blocos, 4 selos regulares e 14 selos aéreos.
O primeiro marmorizado comemorativo apareceu em 1956 (RHM 384Y) e o último em 1972 (RHM 769/72Y).
(Artigo extraído do Boletim do Rio Grande Filatélico, Ano V, nº. 1, março 1999, págs. 17-18)
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