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OS SELOS PICOTADOS DE 1866
por Rouge-Brique.
O Sr. Charles Phillips em "Filatelia Pan Americana", passando em revista sellos de vários países capazes de constituir boa inversão de capitais, na parte referente ao Brasil escreve: ös selos de 1843 são muito populares entre os filatelistas adiantados e merecem sê-lo. Há diferentes pranchas a reconstituir, encerram assim muita razão de estudo, sendo pois, material de magnífica aquisição.
Deve-se agir com cuidado na compra dos picotados de 1866. Sou de opinião que em cada 10 selos à venda, em 9 a picotagem é falsa".
A picotagem dos selos de 1866 como é do conhecimento de todos os filatelistas brasileiros, não é oficial. Funcionários postais, na posse de máquinas de preparar talões, para facilidade de serviço, denteavam as folhas dos selos do tipo "olho de cabra", facilitando assim o destaque das peças por ocasião da venda. Todos os selos então em curso, foram picotados e neste estado vendidos ao público nos guichês do Correio.
É possível que, atendendo a tolerância da administração postal, particulares e casas comerciais, hajam picotado folhas que adquiriram no Correio, valendo-se de máquinas próprias.
Temos visto, sobre cartas, sem vestígio de manipulação fraudadora, selos com as mais variadas picotagens
Este fato estabelece grande confusão nas conclusões dos conhecedores quando solicitados a expertisar tais selos.
Os funcionários postais na manipulação da máquina perfuradora, nenhum cuidado dedicavam ao serviço, resultando, muito frequentemente em peças de má centragem.
Via de regra os selos cujas picotagens atinge a figura da vinheta, são peças originais. Evidentemente nào se pode fixar esta circunstaância como regra instituída para a identificação dos autênticos, a identificação cheia de dificuldades, tem para nós , seguramente mais percalços que os meandros inextrincáveis de um tema de latim. Não é propósito nosso estudar aqui o assunto (selos de 1866 picotados) ele seguramente comporta uma longa explanaçÃo que não cabe nos moldes deste pequeno comentário. Nosso intuito é abordar a questão da percentagem fixada pelo articulista , Sr. Phillips, autoridade cujo nome projeta-se em notável relevo no cenário filatélico internacional. Calcamos nosas considerações em opiniÃo estritamente pessoal. A percentagem varia para cada selo, como aqui tentaremos estabelecer.
No selo de 60 réis, a percentagem de peças autênticas é de cerca de 25%. A razão de tÃo alto coeficiente em selo de fácil obtenção, está no fato de havereste selo, tido, realmente, largo uso nesse estado.
No 10 réis azul a percentagem dos autênticos é baixa , pensamos não ir além de 10%, Nos selos de 30 réis preto e 90 réis os selos originais devem corresponder a cerca de 5%. Esse selos foram certamente aqueles que mais largamente falsificados da série. O fato se filia a disparidade de preços dos sem picotes para peças com picotes, a cotação baixa dos primeiros tentava os fraudadores.
Em relação aos 10 e 180 réis a percentagem varia de 10 a 20%. Nos valores de 20 réis, 30 réis azul, 280 réis, 300 réis, 430 réis e 600 réis, o número dos falsamente falsificados diminui consideravelmente e talvez atinja 40% de picotes originais, isto atendendo a seguinte ocorrência: os selos acima citados sempre foram escassos, portanto relativamente bem cotados.
Atualmente quando os colecionadores suspeitam da autenticidade das perfurações apresentando os selos margens livres, socorrem-se da tesoura de unhas ou da gilete, transformando-os em selos sem picote de margem curta. Selos raros, sem picote, com facilidade de rápida colocação em qualquer mercado do Brasil, raros são os audaciosos que tentam a transformação em peças picotadas, sobretudo em função do pouco interesse que tais selos despertam na filatelia nacional justamente precavida ante a avalanche de selos falsos.
O assunto é certamente interessante e digno de ser estudado por competentes. Digam outros que podem dizer melhor. Será justo nosso cálculo de percentagens ou provocará seu desacerto forte controvérsia?
Conta a lenda do Tonkin que na subida dos longos rios quando cessa o vento propulsor e as velas pandas tombam ao longo das driças, as tripilações crédulas amontoavam-se na proa dos juncos e assoviavam, assoviavam chamando a brisa bemfaseja. É necessário porém cautela no assoviar porque assoviando alto em vez da brisa elas despertariam o furacão. Teremos nós assoviado Alto?
Publicado originalmente no "O Philatelista", número 2, setembro de 1928. página 19-20. revista editada pela filatélica J. Costa e Filhos, a primeira casa filatélica do Brasil, fundada em 1890, na cidade do Rio de Janeiro.
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