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O SELO "R" PARA REGISTRO NACIONAL
por Cezar Procópio
O Selo para Registro Nacional, conhecido como Etiqueta “R Nacional” ou como etiqueta “R”, foi o segundo selo postal auto-adesivo brasileiro, sendo comercializado a partir de fevereiro de 1991. Ele possui incontestável praticidade apesar de seu questionável visual estético.
Este artigo; que será dividido em duas partes; estudará os selos para registro nacional(RHM683 e RHM699). A primeira parte abordará a importância e formas de conservação destes selos. A segunda parte, apresentará suas característica e classificações.
Importância.
Todo selo tem sua importância para o uso postal, embora, alguns possuam pequeno valor filatélico, despertando pouco (ou nenhum) interesse para a maioria dos colecionadores. Talvez, o Selo Etiqueta “R Nacional” seja, injustamente, um dos selos menos interessantes e estudados da filatelia brasileira até aqui. Eu poderia escrever um longo texto técnico para falar da importância deste selo. Mas, para que este texto não fique deveras cansativo, começarei por uma pequena historinha ....
“Luiz Alves de Lima e Silva; futuro Duque de Caxias; nascido em 1803 na atual cidade de Duque de Caxias/RJ. Viajou muito pelo país (do Nordeste ao Sul) na primeira metade do século XX. Combateu algumas das principais revoltas brasileiras. Lia bons livros durante suas viagens e tornou-se apreciador da cultura e música regionais, influenciado, talvez, pelos trovadores e compositores que reuniam-se na sua rua durante sua infância. Além disso, sempre que possível, hospedava-se em algum sítio ou fazenda, onde podia descansar e apreciar os frutos da terra, escutando a sinfonia dos pássaros nas árvores ....” Filosoficamente este texto descreveria bem o envelope apresentado na figura 1, porém, filatelicamente, seria um desastre.

Caso sua coleção englobe a personalidade “Duque de Caxias”, provavelmente não seria adequado colocar este envelope na sua coleção, pois o selo “principal” homenageando o Duque de Caxias estaria “perdido” e/ou “sufocado” por vários outros selos de diversos temas, usados para compor o valor do registro.
Este fato já não acontece com o envelope apresentado na figura 2. Nele, aparecem apenas dois selos: o selo do Duque de Caxias pagou o porte da carta e o selo “R Nacional” foi utilizado para pagar o registro da carta.

Observa-se claramente que neste envelope o selo do Duque de Caxias ocupa posição de destaque, tornando-o fácil sua identificação, e qual é o tema a que se refere o envelope.
Caso deseja-se registrar uma peça filatélica com poucos selos de um determinado tema; sem que seja(m) incoerente(s) com o tema central abordado, o uso do selo de registro “R Nacional” é recomendado
Portanto, o selo “R Nacional” tem sua importância comprovada principalmente nas peças filatélicas temáticas, pois ele é um selo discreto (pouco atrativo) e de pequena dimensão física, não chamando atenção para si e passando despercebido, portanto, atuando como selo ou elemento neutro da peça filatélica. Esta “neutralidade” torna o selo de registro “R Nacional” atrativo, pois permite que ele possa ser utilizado perfeitamente bem, quaisquer que seja a temática abordada.
Conservação.
Observa-se que uma peça filatélica que utiliza o selo “R Nacional” é filatelicamente, harmoniosamente e visualmente mais bela do que uma peça com vários selos: principalmente se forem de temas incoerentes. Porém, como o selo “R Nacional” é um selo auto-adesivo, ele apresenta os mesmos problemas que todos os selos auto-adesivos possuem, sendo o pior deles, acredito, o “ressecamento da goma”. Creio que este problema está relacionado com a composição do papel do envelope (Base). Parece que o papel do envelope “chupa” a goma do selo para seu interior, fazendo com que ela perca seu poder de adesão. Além disso, faz com que os papéis do selo e do envelope fiquem com suas superfícies amareladas (como se tivesse usado goma arábica como cola). O selo fica mais amarelado (ao menos o verso) e quebradiço. O ressecamento da goma ocorre das bordas para o centro do selo e, depois de algum tempo, o selo se soltará sozinho do envelope. A velocidade com que ocorre o ressecamento e com que o selo se “desgruda” do envelope é indeterminada, variando de peça para peça e de selo para selo. Este ressecamento pode ser causados por fatores como a composição do papel do envelope, sua porosidade, sua composição química, alcalinidade ou acidez do papel. Ou ainda, pode ser resultado de uma reação da composição química da goma do selo “R nacional” com algum(ns) componente(s) químico(s) do papel do envelope e/ou com o oxigênio do ar, que reagiria com a goma depois de atravessar a porosidade do papel (do envelope). Enfim, não tenho certeza do mecanismo que provoca este ressecamento.
Este problema, entretanto, tem ocorrido em TODOS os selos auto-adesivos, ou seja, nos selos dos pássaros, frutas, instrumentos musicais, etc... Nos selos do registro nacional, este problema tem ocorrido principalmente no “R Nacional” com papel fosco (RHM 683). Particularmente ainda não observei este fenômeno (ressecamento) nos poucos selos “R Nacional” em papel couchê (RHM 699) que possuo. Como acredito que este processo(ressecamento) seja irreversível, com certeza, com o tempo, todos os seus selos auto-adesivos acabaram se soltando e “despencando” do envelope. Para evitar este problema sugiro que, se você observar que seu selo está parcialmente ressecado, dobre delicadamente o envelope sob o selo ou levante delicadamente uma das pontas deste selo e coloque uma gota de cola, dê preferência à cola plástica lavável, e espere a cola aplicada nesta ponta secar. Repita esta operação para todas as pontas que estiverem ressecadas(que tiverem soltas), realizando a colagem de uma ponta de cada vez. Porém tenha muito cuidado ao levantar o selo, para que sem querer você provoque um “amanci” no selo ou então você acidentalmente acabe por destacá-lo por completo do envelope.
Aconselho também que antes de levantar as pontas do selo, você coloque o dedo no centro do selo. Desta forma, será mais difícil que o selo acidentalmente seja totalmente destacado do envelope, pois você estará o segurando(pressionando o selo contra o envelope).
Espero que estas minhas dicas sejam úteis para conservação de suas peças filatélicas.
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