• NOTAS SOBRE OS PSEUDO SELLOS MILITARES

    Observação: Como se trata da reprodução de artigo publicado há 70 anos, optouse por preservar a grafia utilizada na época.

    Por occasião do movimento revolucionario de S. Paulo, appareceram naquelle Estado umas etiquetas coloridas em tres typos, de nenhum valor philatelico, por se tratar de producto de exploracäo. Tendo conheclmento dessas etiquetas, a Sociedades Philatelica Paulista dirigiu, em data de 18 de agosto de 1932, o seguinte officio ao director do correio militar da M.M.D.C.:

    "Illmo. sr. director do correio militar da M.M D.C. - Rua da Quitanda, 10 - São Paulo. -
    Prezado sr. - Tendo sido apresentado a esta sociedade enveloppes de cartas transirtadas por esse correio millitar, sobre as quaes se notava collado em sello rectangular, impresso em cor azul e vermelho, sobre fundo branco, com as legendas: "Exercito Constitucionalista - Correspondencia Militar - Forças em Operações -Porte franco - São Paulo", vimos solicitar de v. s. a fineza de nos informar se o uso desses sellos foi autorizado pelo correio Militar ou se o mesmo é devido a uma simples phantasia do remettente dos referi-dos enveloppes.

    Tratando-se de uma informação que, futuramente, muito virá beneficiar a philatelia brasileira, estamos certos que a presente merecerá a preciosa attencão de v. s., attendendo ao presente pedido.
    Com os protestos de nossa elevada estima e consideração, apresentamos a v. s. as nossas mais atenciosas saudações. -(a) Edgard Conceicão, presidente".

    A esse officio foi dada a seguinte resposta:
    "M. M. D. C. - Coreio militar - São Paulo, 21 de agosto de 1932. -À Sociedade
    Philatelica Paulista. -Nesta.
    Presados senhores.
    Respondendo sua carta datada de 18 do corrente, temos a informar-lhe que não autorizamos emissão de sello algum para os enveloppes de cartas que transitam por este correio militar.
    Saudações. - O director do correio militar. - (a) Prudente de Moraes Netto".

    A resposta dada pelo correio militar da M. M. D. C. não deixa duvida alguma de que se trata de uma mystificação com o fito unico de ludibriar philatelistas. Pórem, logo após terminado o movimento revolucionario, nos primeiros dias do mez de Outubro, a Sociedade Philatelica Paulista teve conhecimento do apparecimento dessas etiquetas, com grande publicidade pela Imprensa, começou-se a vender as referidas etiquetas, inundando o mercado philatelico, com sellos do correio militar.

    A Sociedade Philatelica Paulista afim de pôr cobro a essa exploração, e para que todos os philatelistas brasileiros estejam ao par do assumpto julgou neccssario fazer pela imprensa diversos conununicados affirmando categoricamente que taes etiquetas coloridas em 3 typos não eram sellos, e portanto sem o minimo valor phulatelico, poisque a correspondencia postal dirigidia aos soldados nos diversos sectores - ou a que do front era expedida as familias - por Decreto do Governo de São Paulo - era isenta de porte, e por este facto não havia necessidade de applicar sellos comprovantes de franquia.

    As informações dadas a Imprensa, afim de salvaguardar os interesses dos philatelistas, não visaram nomes ou personalidades, apesar de serem bastante conhecidos todos os elementos coligados na fabricação desse producto, que a todo o transe queriam impingir como sendo sello do correio militar.

    A Sociedade Philatelica Paulista estava ao par do nome do particular que encomendára as etiquetas, do Estabelecimento onde foram impressas, o quantitativo retirado do Estabelecimento typographico em questão, o nome do pintor ou desenhista que encarregou-se de fazer o desenho, e a casa philatelica que tratou de pôr no mercado o producto mencionado com o rotulo de sellos do correio militar. Porém a Sociedade não visando os nomes dos individuos, e sim tratando sómente do caso, do ponto de vista philatelico, não deixou de fazer, como era de dever, diversos communicados pela Imprensa que repercutiram nos diversos meios philatelicos de modo benefico ao acautelamenlo da bolsa dos philatelistas, e de facto foi suspensa a encommenda de diversos milhares desses papeluchos no estabelecimento typographico; foi retirada, apressadamente, a chapa do referido estabelecimento; e não appareceu mais publicidade nos jornaes, pondo a venda as taes etiquetas como sellos.

    Documentacão archivada na Sociedade Phulatelica Paulista prova exhuberantemente que a impressâo dessas etiquetas não foi encontmendada pelo Correio Militar do M. M. D. C., nem por nenhunza autoridade do Governo Constitucionalista de então, e que a encommenda de 20.000 etiquetas, já retiradas e pagas, foi feita por UM PARTICULAR - permanecendo o gerente do estabelecimento typographico ao inteiro dispor da S.P.P. para quaesquer outros esclarecimentos que se tornasse necessarios. Todos esses documentos, a Sociedade Philatelica Paulista guardouos em seus archivos aguardadando a opportunidade para delles fazer uso quando assim julgasse necessario para o bem da philatelia, salvaguardando os interesses dos philatelistas, não fazendo insinuações, mas sim affirmando categoricamente e demonstrando a luz do dia que as taes etiquetas não sendo sellos, não serviram para franquiar as cartas dos milltares constitucionalistas e que portanto se trata - em boa ou má fé -de uma mystificação com o fito unico de ludibriar os colleccionadores de sellos, os quaes devem se precaver com esses papeluchos coloridos, os quaes novos ou usados näo tem o ininimo valor philatelico.

    A respeito de uma resposta dada nas columnas da "A Platéa" pelo sr.Lourenço A. del Monaco sobre a questão dos taes sellos militares, em que aquelle sr. affirma ter sido o offertante das referidas etiquetas ao correio militar, o que é bastante curioso, pois tratandose de uma tal offerta, posto que inutil e extemporanea, não poderia ser desconhecida da Direcção do Correio Militar da M.M.D.C.- Entretanto a inter-pellação da S. P. P., foi respondido pelo Director daquelle correio que não autorizára emissão alguma de sellos militares, o que quer dizer que NAO ACCEITARA a "gentileza" do sr. Lourenco del Monaco. Tratando-se, portanto, de uma defesa descabida dos "sellos militares" a S. P. P. julgou que a mesma não merecia a sua minina attencão.

    Para finalizar a questão transcrevernos uma carta da firma que imprimiu taes etiquetas.

    "São Paulo, 31 de outubro de 1932.
    À Sociedade Phulatelica Paulista - Rua S. Bento, 22 - Capital.
    Prezados senhores
    Confirmando nosso entendimento pessoal, temos o prazer de responder aos quesitos formulados em sua carta de 22 do corrente, com referencia as etiquetas rectangulares, impressas em côr azul e vermelho, fundo branco, com os dizeres "EXERCITO CONSTITUCIONALISTA -
    CORRESPONDENCIA MILITAR - FORÇAS EM OPERAÇÕES - PORTE FRANCO - SÃO PAULO":
    1 - Essas etiquetas foram impressas pelo nosso estabelecimento;
    2 - A impressão dessas etiquetas não foi encommendada pelo correio militar de então, nem por nenhuma autoridade do Governo Constitucionalista;
    3 - Essa encommenda foi feita por um particular;
    4 - Foram 20.000 as etiquetas impressas;
    5 - A serie compunha-se de tres typos repartidos na quandade acima (variavam as cores das columnas lateraes).
    Permanecendo ao seu inteiro dispor para quaesquer outros esclarecimentos que se tornem necessarios. subscrevemos-nos com distincto apreço, de VV. SS. Amgos. Attos. Obdos.
    A RELEVOGRAVURA LTDA. - (a) Carlos Flues - Gerente".




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