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Dificuldade de relações postais entre o Brasil e a França durante o período de setembro de 1870 a junho de 1871.
por por Philippe J. Damian (“in memorian“)& Klerman W. Lopes
Introdução
Após anos de tensão entre os dois países, a Prussia sob o comando de Bismarck invade a França e, após a batalha de Sedan em que o Imperador Frances é feito prisionairo, as tropas alemãs avançam e em 18 de setembro de 1870 sitiam a cidade de Paris, interrompendo as comunicações regulares com o interior da França e com o exterior. Paris capitula em 28 de janeiro de 1871. Um protocolo de armistício é assinado em 28 de fevereiro desse ano e um governo provisório é eleito.
Em 18 de março de 1871 um Comitê Central da Guarda Nacional se insurge e toma o poder em Paris, transmitindo o poder em 28 de março a uma assembléia autodenominada como “Comuna de Paris”.
Tudo isso resulta em bloqueio postal da capital pelo governo provisório, sediado em Versailles. Finalmente em 28 de maio de 1871 o governo central derrota os insurretos e os serviços postais voltam lentamente à normalidade.
Estudo de peças postais
Duas cartas de correspondência familiar de nossa coleção e endereçadas ao Sr. Victor Ricard vêm exemplificar as dificuldades de comunicação postal Brasil-França nesse período. A primeira delas foi postada no Rio de Janeiro em 6 de outubro de 1870 e encaminhada pelo navio “Gironde” das “Méssageries Impériales”, que aportou em Bordeaux em 28 de outubro de 1870, à época do cêrco de Paris.
Em seu texto, o expedidor denota a sua incerteza quanto à distribuição da mesma. No seu verso, apresenta o carimbo de chegada em Paris de 19 de fevereiro de 1871, portanto após a retomada das comunicações entre Paris e as demais cidades francesas permitida pelo armistício de 28 de janeiro. Nota-se que levou 136 dias para chegar ao seu destino, ao invés dos 27 ou 28 dias dispendidos em circunstâncias normais. Estas cartas são conhecidas na França como “tentativas de entrada” durante o sitio de Paris, caracterizando-se pela distribuição durante a terceira semana de fevereiro. Como de praxe o destinatário anotou em seu corpo “respondida em 6 de maio”.
A segunda carta, ao mesmo destinatário, escrita no Rio de Janeiro em 5 de junho de 1871 em resposta àquela de 6 de maio foi transportada pelo paquete “Sindh”, entrando em Bordeaux em 29 de junho, recebendo em Paris a marca de intercâmio “F26” e sendo encaminhada a Charleroy (Bélgica), com chegada em 30 de junho. De lá é reexpedida a Paris, sendo entregue ao destinatário em 1º de julho, dessa vêz cumprindo o tempo normal de viagem e trânsito.
O endereçamento à Bélgica explica porque o missivista francês demorou tanto em responder à primeira correspondência: Durante o período turbulento da Comuna de Paris o Sr. Ricard refugiou-se naquele país, certamente informando o seu novo endereço na carta de 6 de maio.
Observa-se que a reexpedição à Paris destina-se ao mesmo enderêço, 46 Rue de la Tour, Passy-Paris. Assim, tio e sobrinho só puderam trocar duas cartas entre outubro de 1870 e julho de 1871.

Figura 1
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