• DUAS BREVES HISTÓRIAS
    por Rubem Porto Jr.

    Primeira História (Coleção Sumida)

    Em meados da Segunda Guerra Mundial - mais precisamente em agosto de 1943 - uma grande parte da valiosa coleção de selos dos Correios do Reich foi mantida em segurança contra os bombardeios sofridos pelas cidades alemãs dentro de uma das caixas-fortes do Banco do Reich, em Berlim, e também em uma dependência para valores dos Correios de Viena, na Austria.

    Em 1944 a coleção foi transladada para a cidade de Dresden, local considerado seguro, mas que, entretanto, sofreu enormes destruições quando dos violentos ataques aéreos anglo-americanos. Decidiu-se, então, por parte das autoridades, esconder a coleção em dois antigos poços de uma mina de cobre próxima a cidade de Eisleben. Esta zona, porém, foi conquistada pelos norte-americanos em 1945, tendo sido descoberto o esconderijo e, conseqüentemen-te, a importante coleção.

    Antes que os aliados cedessem parte do território da Alemanha central a URSS, a coleção foi levada para Marburgo, na Alemanha Ocidental, onde foram entregues ao Landgrave de Hessen. Quando, em 30 de maio de 1949, a Administração dos Correios e Telecomunicações da República Federal da Alemanha, em Wiesbaden, tomou a coleção a seu encargo, observou que nela faltavam vários exemplares entre aqueles de maior valor.

    Finalmente, em 1990, conjuntos desaparecidos foram encontrados no mercado filatélico de Londres, após terem passado por várias e inconfessáveis mãos, chegando posteriormente a Alemanha via América. A peça mais importante e famosa dentre os conjuntos dados como perdidos era uma carta, de valor inestimável: nada mais nada menos, que o denominado "Mauricio Azul", peça com variedade de cor na impressão, emitido em 1847. Desta forma, os selos retomaram ao Museu Postal de Berlim após 45 anos de peripécias pelo mundo.

    "Revista Crônica Filatélica" - 1991


    Segunda História (Museu da Realeza)

    Instituído em Londres no ano de 1965, o Museu Postal Britânico abriga um acervo de selos postais considerado como, provavelmente, o maior e mais importante do mundo. Possui em permanente exibição inigualável material sobre a introdução, em 1840, dos primeiros selos postais adesivos, em particular do famoso Penny Black, acontecimento altamente significativo na história da comunicação entre os povos. Uma estátua do pioneiro, Sir Rowland Hill, encontra-se na parte extema do Museu.

    A criação do Museu Postal Nacional da Inglaterra foi uma iniciativa de Reginald M. Phillips, natural de Brighton que, em 1965, generosamente, doou ao Correio, sua magnífica e valiosa coleção de selos postais britânicos do século XIX. Phillips ofereceu ainda vultosa quantia para a construção do próprio Museu, possibilitando aos que compartilham do mesmo interesse - selos da Grã-Bretanha, e em especial o primeiro selo postal do mundo, a oportunidade de poder apreciá-los para sempre.

    A coleção completa de R M. Phillips constitui-se num verdadeiro documento da história da Filatelia no periodo de 1837 a 1900, compondo-se de peças de grande riqueza. No setor referente aos Correios, o Museu possui todos os selos emitidos na Inglaterra e nas comunidades britânicas além mar, cujas Administrações Postais encontram-se sob o controle dos Correios Ingleses. Cada selo postal britânico emitido desde 1840 está devidamente registrado com a respectiva prova de prelo e milhares de desenhos originais e ensaios, juntamente com o arquivo de selos da Casa da Moeda Real (1910-1950).

    A Coleção Beme, adquirida pelo Correio inglês, é um registro quase completo de cada selo e peça emitidos pelos países membros da União Postal Universal desde 1878. Em 1972, o Arquivo Filatélico de La Rue, foi confiado àquele Museu pela famosa firma de seguridade de impressos, em forma de empréstimo a longo prazo. Contendo centenas de volumes de correspondências do periodo de 1855 a 1955, de aproximadamente 200 paises, constitui-se, esse Arquivo, fonte inestimável para a pesquisa filatélica.

    0 Museu possui, ainda, uma biblioteca exclusiva, onde pode ser encontrada a maior parte dos trabalhos realizados sobre selos britânicos. Funcionários oferecem assistência a pesquisadores. Serviços especiais acham-se a disposição dos estudiosos, que podem examinar o material não exposto e os arquivos filatélicos existentes no Museu. Para tanto, basta marcar uma entrevista com o Diretor através de carta ou telefone.

    Fotos de muitas peças daquele acervo, a cores ou em preto e branco, são fomecidas a preços módicos. Este serviço inclui fotografias em tamanho natural da maioria das provas de prelo dos selos emitidos entre 1840 e 1855 e de uma seleção de folhas em forma de livreto de particular interesse para pesquisa.

    Noticias do Museu Postal inglês são divulgadas men-salmente no "Philatelic Bulletin", que apresenta artigos de pesquisa, muitas vezes ilustrados, a respeito não só da coleção Phillips, mas também das outras que lá se encontram. 0 "Philatelic Bulletin" oferece, ainda, aos colecionadores interessados, particularidades sobre emissões de selos e carimbos britânicos. Os interessados no recebimento dessa revista podem escrever para Philatelic Bureau, Lothian House, 124 - Lothian Road, Edinburgh EH39BB.

    Outras publicações encontram-se à venda no Museu, tais como: "0 Selo Britânico do Século XIX", de autoria de Robson Lowe; "Pequena Sinopse da Coleçao de Selos Postais do Século XIX de Reginald M. Phillips", por F. Marcus Arman; "Selos da Realeza" (emissões comemo-rativas britânicas de eventos reais de 1935 a 1972), nor AG. Rigo de Righi FRPS, L; "A História do Penny Black", nor A.G. Rigo de Righi FRPS, L, (abrange a criação e a substituição dos selos postais de 1840)

    Finalmente, o Museu proporciona uma lista completa de todas as suas publicações, incluindo livretos e jogos de cartões-postais a cores, ilustrados com as mais importan-tes peças da coteção R.M. Phillips.

    Visitas de alunos e professores são sempre bem-vindas ao Museu Postal Nacional da Inglaterra e, havendo solicitação, se realizam palestras e se exibem filmes sobre assuntos filatélicos e sobre os Correios em geral.

    Às Sociedades Filatélicas é dedicada uma programa-ção especial, desde que os pedidos para as visitações sejam feitos com antecedência. O Museu Postal inglês abre de segunda-à sexta-feira, no horário de 10 as 16h30m. Encontra-se muito bem situado, paralelo à Administraçao Central dos Correios britânicos, na Rua King Edward, Londres, quase em frente a Estação do Metro de St. Paul.


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