• O DIAMANTE HOPE, SEU TRANSPORTE PELOS CORREIOS E A TRITE HISTÓRIA DO CARTEIRO QUE O TRANSPORTOU
    por Rubem Porto Jr.

    Você remeteria um bem avaliado em pelo menos 1 milhão de dólares pelos Correios, apenas fazendo registro com valor declarado?
    Tendo sido considerado pelo seu proprietário, Harry Winston, o modo mais seguro para transportar pedras preciosas, na manhã de 8 de novembro de 1958, foi remetido da Cidade de Nova Iorque para Washington, D.C. o pacote que continha o Diamante "Hope". A pedra preciosa rara, e de incomparável beleza, havia sido doada pelo seu proprietário ao Smithsonian Institute. O envio foi feito por correspondência registrada com valor declarado, sendo que a taxa cobrada totalizou U$145,29, como indicado pelas fitas registradoras da máquina usada na postagem.

    Para o pacote, que pesava 61 onças, a taxa postal cobrada foi de tão somente U$2,44 e o seguro acertado pelo valor declarado, cobriria a quantia de U$1 milhão. O pacote foi entregue na segunda-feira, 11 de novembro, pelo carteiro James G. Todd que o tinha apanhado na agência postal Old City, atual sede do Museu Postal Nacional Norte-americano, para ser entregue ainda naquela manhã.

    A curiosa forma de remeter correspondência de tão alto valor despertou interesse em todos. Justificando sua atitude, Harry Winston, entrevistado por um repórter de um jornal de Washington, comentou de maneira simples que "aquele era o modo mais seguro para remeter pedras preciosas. Eu já enviei para o mundo inteiro pedras preciosas dessa forma e nunca me arrependi".

    A história do diamente Hope é cercada de mistério, superstição e rumores. A pedra, originalmente com cerca de 112 quilates, é entendida por alguns como tendo sido roubada da órbita ocular de uma estátua de um Deus Hindu (criando assim as bases da superstição de que ela é " amaldiçoada").

    Alguns historiadores acreditam que foi possuído uma vez por Maria Antonieta que, junto com o seu marido o Rei Luís XVI, foi decapitada em 1793 durante a Revolução Francesa. O diamante, então conhecido como o "Azul Francês", desapareceu da vista do público por mais de 30 anos. Um lapidador de diamantes de nacionalidade holandesa fez surgir o rumor de que a teria lapidado, tendo a pedra ficado, após a lapidação, com 45 quilates, seu peso atual.

    O diamante foi comprado em Londres em 1830 por Henry Hope, ao qual ficou ligado pelo nome. Durante o século XIX, a pedra passou por várias mãos, e embora nenhuma das histórias possa ser confirmada, foi dito que tinha causado aflição e tragédia a todos os seus donos.

    Quando a pedra chegou à América na primeira década do século XX, ela foi comprada pelo joalheiro Pierre Cartier que a vendeu em 1911 para Sra. Evalyn Walsh McLean (cuja filha morreu após a ingestão de uma overdose de pílulas para dormir e cujo filho morreu em um acidente de carro). Depois da morte de Sra. McLean, a pedra foi comprada por Harry Winston em 1949 que o doou em 1958 ao Smithsonian Institute.

    A "maldição" atribuída ao diamante pode não ter parado aí. De acordo com um relatório dos Correios, no dia 21 de agosto de 1959, James Todd, o carteiro que entregou a pedra ao Smithsonian em 1958, foi atacado por um dilúvio de azares. Naquele ano, o carteiro Todd teve uma de suas pernas esmagada por um caminhão, sofreu um acidente de carro que lhe causou severos danos à cabeça, sua esposa morreu de um ataque de coração, seu cachorro morreu e sua casa pegou fogo. Quando foi perguntado se ele atribuía todos esses acontecimentos à maldição do diamante, por ele transportado quando carteiro, Todd respondeu estoicamente: "eu não acredito nada nesta coisa de maldição".


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