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AINDA OS TIPOS DO 100 REIS
por Renato de Amaral Machado.
Muito se tem escrito e debatido sobre os tipos do selo de 100 réis da primeira emissão do American Bank Note (1866 - 1876). Entretanto, o assunto não parece exaurido. 0 tema, além de sedutor, mostra, ainda, vertentes a merecer meditação e pesquisa. Se consultarmos todos catálogos até hoje editados e que tenhám ousado descrever as variantes do quadro do 100 réis D.Pedro, barba preta, iremos constatar que, pelo menos, em parte, divergem as propostas para identificação das características de cada uma, a começar pelo número delas; questão sobre a qual a unanimidade está Ionge de ser alcançada. Enquanto para alguns há quatro tipos, para outros são eles cinco, sendo que há, também, os que se Iimitam a distinguir dois, o que não deixa de estar certo, como adiante veremos. Mas nem é só na quantidade que se contém a divergência. Sobre os elementos distintivos de cada um deles há discórdia. Se uns apontam a falhá parcial da Iinhá formadora da voluta superior direita da moldura do selo (esquerda do observador) como característica, supostamente, identificadora de um dos tipos, outros desprezam esse detalhe, aliaá, a nosso ver, irrelevante para a finalidade, alcançável, apenas, com a observação da linha extrema vertical e dos florões por ela formados.
Não temos nós a veleidade de por termo a divergências sobre matéria assim conturbada e, menos ainda, a de querer censurar ou corrigir quem quer que seja. Mas como não subscrevemos nenhuma das diversas proposições oferecidas, quer nos catálogos, quer em trabalhos específicos, julgamos ser útil provocar o prosseguimento do debaté expondo as razões de nossa insatisfação com os critérios aventados e, sobretudo, os fundamentos da teoria que sustentaremos. 0 desafio primeiro a enfrentar, sem dúvida, será quantificar os tipos. A rigor, são só dois, mas para justificar a assertiva, há que recuar até questão conceitual: na catalogação filatélica, o que deve merecer a qualificação de tipo ?
Simples variantes de impressão, conseqüentes, ou não, de desgaste da chapa, papel, colorido, ou outras, em se tratando de selos provenientes da mesma matriz, não podem ser considerados tipos. A mesma chapa, a menos que composta por duas ou mais matrizes, como é o caso do 90 réis inclinado, por exemplo, não pode produzir dois ou mais tipos de vinhetas. Sob o ponto de vista técnico, só devemos classificar como tipo o selo que procede de determinada matriz. Um segundo tipo é sempre produto de outra matriz. Não há, pois, tipos vários produzidos pelo mesmo cunho. Cada tipo pressupõe uma só matriz. Assim, não haverá falar em 4 ou 5 tipos do 100 réis se, apenas duas (ou talvez uma só modificada) matrizes houve. No campo polêmico do nosso 100 réis, temos como fora de dúvida, que duas matrizes foram empregadas na confecção das entre 10 e 12 chapas usadas pelo American Bank Note para imprimir os quase 45 milhões de selos dessa estampa, inclusive os da emissão de 1876 (percés). Tudo leva a crer que a segunda matriz houve de ser feita, exatamente, para superar os prololemas surgidos com o uso farto das chapas da primeira, que, dado o vício de origem desta, começaram a apresentar desgaste excessivo da linha dos ornamentos do lado direito do selo (voltamos a insistir que a direita do desenho é a que fica a esquerda de quem o olha de frente).
Nessa segunda matriz, ou na recuperação da primeira, se é que outra, inteiramente, nova não foi executada, como querem alguns e é provável, a linha desgastada não só foi avivada, como a parte central dela foi duplicada.
Contra a hipótese de ter sido gravada nova matriz há um argumento não desprezível, qual não ser conhecida qualquer prova desse novo cunho ("die proof") e isso é estranhíssimo, quando sabemos que o estabelecimento impressor, de todas as matrizes que confeccionou, fez extrair provas, nas quais, inclusive, aparece o número da matriz respectiva, abaixo da estampa. Todos os filatelistas, certamente, conhecem, ou já ouviram falar dessas raras "die proofs" de todos os selos gravados no American Bank Note, inclusive os do período republicano. São provas de um exemplar isolado - como toda prova de cunho - impressas ao centro de pequena folha de papel especial, grosso (130 micra), Ievemente, apergaminhado de 9" x 6", aproximadamente, 23 x 15,4 centímetros. Os cunhos empregados pelo A.B.N. para a emissão de 1866/76 eram blocos de 3 1"/8 x 2 1"/8 , nos quais a estampa ocupava a parte superior e abaixo gravado em letras finas, extremamente delicadas, Iê-se: DON PEDRO 2ND AMERICAN BANK NOTE CO. NY.
Entre as duas linhas vem o número da matriz (301 a 307). E curioso consignar que as letras usadas nas matrizes não são idênticas àquelas empregadas nas chapas (margens). Os tipos são Iigeiramente inclinados para a esquerda. Outrossim, as matrizes executadas para servir a impressão dos inteiros postais são diferentes quer no tamanho, quer na numeração, são maiores ( 2 1"/2 x 2 1"/2 ) e numeradas em série que começa pela Ietra C e, ao menos em sua maioria, impressos com o papel na vertical, enquanto na série postal são todas na horizontal. Se essa era uma praxe, porque a "segunda matriz", a substitutiva, não teria merecido o mesmo procedimento?
A indagação é inquietante, mas não tentaremos dar-Ihe resposta, pelo menos nesta ocasião, até por não ser ela essencial, ou mesmo necessária, as conclusões a que chegaremos. Isso, no entanto, não nos impede de elencar as quatro hipóteses a que se pode atribuir o surgimento do segundo tipo (Iinha dupla) do 100 réis. Para a perfeita compreensão das considerações que se seguem é insdispensável ter presente o processo industrial da gravura e do sistema de preparo das chapas usadas na impressão por esse método.
Primeira:
# nova matriz e, consequentemente, segundo rolo transferidor para confecção de chapas impressoras novas, proloabilidade contra a qual milita o fato de não ser conhecida a prova desse novo cunho fato que não chega a invalidá-la, mas a faz, sem dúvida, frágil;
Segunda:
# retoque feito na matriz original para aprofundar os sulcos da lateral do quadro, inclusive mediante a duplicação do segmento vertical da linha dos dois pequenos florões (superior e inferior) e da voluta. Dizem os técnicos, ser esse trabalho de difícil execução porque já estando endurecido o aço da matriz, é ele muito resistente ao buril, mas não impossível ao artesão hábil e este, obviamente, não faltaria ao American Bank Note.
Se assim, ocorreu e essa é, sem dúvida, a mais palatável das hipóteses, teria sido necessário, apenas, um segundo cilindro de transferência e novas chapas, sobre cuja feitura temos, todos, absoluta certeza. Querem alguns que esse retoque tenha sido feito sobre um cunho novo, obtido a partir da compressão do rolo transferidor endurecido sobre um bloco de aço doce, no qual se fazem os retoques e depois se o endurece para obter nova matriz com a qual se extrai outro cilindro de transferência.
Essa é a solução pela qual se inverte uma etapa do processo. Ao invés de passar a figura do cunho ao cilindro, usa-se este, já temperado e se o pressiona sobre o bloco de aço doce, a fim de obter um gravado novo sobre metal maciço, passível de correções e uma vez feitas essas, repete-se o procedimento, a partir do início: tempera-se o novo cunho, uma vez endurecido sobre ele comprime-se o rolo transferidor, o qual é, a seguir, endurecido e usado, então, para confeccionar as chapas.
Terceira:
# Retoque feito no rolo transferidor, esta, inteiramente, inaceitável, não só por sua dificuldade que se pode dizer intransponível, como por contravir aos mais comezinhos princípios da arte da gravura. Quando fora possível a realização de um retoque dessa natureza, teriam sido executados, tão só, novas chapas com emprego do cilindro retocado;
Quarta:
# Finalmente, a mais improvável de todas as hipóteses seria o retoque feito, diretamente, nas chapas impressoras, o que importaria na execução de 100 retoques em cada uma das, não menos, de 5 ou 6 chapas que imprimiram Os selos do tipo I. Se cem retoques forem, individualmente, feitos numa chapa, por mais perito que seja o autor, teremos não menos de cem retoques diferentes, uma vez que é, humanamente, inalcançável a fiel repetição de um retoque feito a mão sobre chapas de aço. Mesmo quando na impressão se usam chapas de cobre (metal bem menos duro), a reprodução, absolutamente, igual de um retoque é impossível.
De resto, pode-se, tranqüilamente, descartar a hipótese, pois, como, adiante, veremos, as chapas que produziram o primeiro tipo - pelo menos, algumas delas - continuaram em uso simultâneo com as do segundo. Sem nos comprometermos, categoricamente, com a opção pela segunda hipótese, temo-la como a mais verossímil, em qualquer de suas alternativas, descartando a terceira e a quarta e reafirmando não ser de importância máxima perquirir, a fundo, qual das duas primeiras traduz a realidade e isso porque tendo sido feito um segundo cunho, ou sido refeito o original, sob o ponto de vista técnico, a conseqüência é nenhuma. Em qualquer dos dois casos, temos uma segunda matriz, uma vez que o cunho original depois de ter sua linha reforçada e duplicada, passou a ser um novo molde, do qual novo cilindro se extraiu e com o qual chapas novas viriam a ser confeccionadas. De todas essas considerações, a primeira conclusão a extrair, desafiando contestação, é ter havido chapas provenientes de duas matrizes, embora não tenhamos como apurar quantas foram produzidas, quer com cada uma delas quer com ambas. A resposta é inalcançável, pelo menos no estágio de conhecimento que conseguimos lograr até hoje. Todos os estudos feitos não foram capazes, de concluir quantas foram as chapas preparadas pelo banco para imprimir o selo de 100 réis. Inobstante saibamos terem sido muitas. Mais de dez, com certeza, mas inexistem elementos idôneos que nos permitam quantificá-las. Clarence Hennan, o primeiro e, certamente, o maior pesquisador da da matéria, pensa devam ter sido, não menos de onze, sem, entretanto, nos dar para o número proposto, outro fundamento que as necessidades ditadas pela grande quantidade de exemplares remetidos ao Brasil. O argumento tem procedência, uma vez que, na presunção de haverem sido usadas dez chapas para imprimir quase 45 milhões de unidades, na média, cada uma delas teria sido responsável pela impressão de quatro e meio milhões, vale dizer 45.000 folhas, ou outras tantas impressões, quantidade que pode ser tida como próxima ao número máximo de estampas produzidas por uma só chapa, mesmo sendo ela de qualidade excelente, como o eram as daquela casa impressora.
Lauro Reinaldo Muller, o saudoso e arguto filatelista, autor do trabalho laureado com o prêmio Francisco Sanchez, publicado no Arquivo Filatélico de São Paulo, da Sociedade Filatélica Paulista, edição jubilar do cinqüentenário da entidade, páginas 26 a 56 sob o titulo "A emissão cabeças do Imperador - 1866-1876" opina terem sido 10 as chapas do 100 réis, mas nos priva do conhecimento das razões que o levaram a sustentar esse número. Não deve, ainda, passar sem registo que as opiniões de Hennan devem merecer grande respeito quer pela induvidosa autoridade do estudioso, quer pelo fato relevante de haver ele contado em suas magníficas pesquisas com a decidida colaboração de Mr. D. E. Woodhull, presidente do American Bank Note que procurou por a sua disposição os registos existentes no estabelecimento impressor, versando as emissões imperiais do Brasil.
A propósito deve ser consultado o trabalho publicado no número especial da revista da American Philatelic Society, dedicado ao centenário dos nossos "olho de boi", em 1943, "Centenary Handbook n0 3", páginas 69 a 126. A segunda ilação é Iegitima a partir do acolhimento da tese por nós proposta e ela é ter o cunho original apresentado cedo a deficiência: o sulco formador da linha de contorno do lado direito do quadro era menos profundo que o restante da gravura, daí resultando ser esta muito tênue e quase imperceptível, quando nem aparente em alguns pontos. Logo nos selos da primeira remessa, nota-se a falha do traço, extremamente fino e, mesmo, nas provas, certamente, obtidas a partir de uma das primeiras das chapas confeccionadas, a Iinha não é contínua. Até a prova de cunho, extraída não das chapas mas, diretamente, da matriz, se observada com atenção, revela esses indícios comprometedores da nitidez da linha direita da moldura. (vide 4a conclusão ao final).
A propósito, há registo importante a ser feito, divulgando fato que nos parece despercebido pela maioria, senão a totalidade dos filatelistas que versaram o tema até hoje, sem excepcionar os responsáveis pela edição dos catálogos.
Surpreendentemente, a chapa usada na confecção das provas não é a que produziu o tipo 1a (vide descrição adiante), como seria de esperar, mas aquela em que a linha lateral já é interrompida e os dois florões são abertos, (1b), portanto a que aparenta major desgaste!
O lógico seria que para imprimir as provas fosse usada a primeira das chapas confeccionadas e o esperável seria que fosse essa a de melhor qualidade, produzida por um rolo transferidor usado por primeira vez, ainda, pois, sem demonstrar sinais de uso.
Cumpre não esquecer que para cada chapa, o cilindro é comprimido 100 vezes sobre a chapa virgem de aço doce, o que há de causar-lhe algum desgaste.
A chapa mais perfeita do tipo 1, sem dúvida foi responsável pelos selos do sub-tipo 1a. Aquela que tinha a linha, ainda, íntegra e o florão inferior fechado. Tudo induziria a concluir ter sido essa a primeira a ser preparada e seria de esperar fosse ela a utilizada para imprimir as provas a serem submetidas a aprovação do cliente. Sem que saibamos porque, não se passaram assim os fatos, pelo menos quanto a segunda das ilaçães. Todas as provas que conhecemos são do tipo 1b (Iinha interrompida e ambos os florões abertos!).
Embora não tenhamos explicação a dar para esse inesperado acontecimento, uma conclusão daí se pode extrair: todas as provas de chapa foram feitas com a mesma e, certamente, não a melhor delas. O enigma enseja algumas especulações a merecer serem consignadas, embora fiquem elas sem conclusão:
a) a chapa do tipo 1b teria sido a primeira a ficar concluída e foi usada no preparo das provas e uma vez percebida a fraqueza da Iinha, outra teria sido preparada tentando a correção da falha mediante aumento da pressão do rolo transferidor sobre ela? Nesse caso a chapa 1a seria de feitura posterior a 1b e visaria a melhorar a impressão. Improvável essa conjetura, pois se taI houvesse ocorrido, as provas da chapa anterior teriam sido destruídas e outras preparadas com a mais perfeita para submissão ao correio brasileiro.
b) teria a American Bank Note preparado logo mais de uma chapa e escolhido, ao acaso, uma delas para extrair as provas?
Se assim foi, ou os operadores não perceberam as deficiências da chapa 1b, ou não julgaram relevante preparar as provas com a chapa capaz de produzir estampas mais perfeitas. Não fora por essas irrespondidas indagações e poder-se-ia afirmar, com toda a proloabilidade de acerto, que as chapas que produziram as selos do sub-tipo 1b, teriam sido, também, as responsáveis pelo 1a. Não sendo aquele mais que a conseqüência da progressão do uso delas. Se assim houvesse sido, as primeiras impressões teriam produzido selos com a Iinha sem interrupção e o florão inferior fechado. Na medida em que as chapas fforam sendo usadas, o desgaste se teria acentuado e o sulco teria passado a imprimir apenas, em parte, a linha, deixando incompleto também, o ornamento de baixo. Tudo, assim, teria sido intuitivo e simples, mas não se passaram as coisas dessa maneira. Embora fosse verossímil admitir que as mesmas chapas responsáveis pelo sub-tipo 1a, quando gastas, tivessem produzido o sub-tipo 1b, tudo conduz a conclusão diversa.
Parece irrecusável ter havido chapas que produziram o sub-tipo 1b e outras que geraram o sub-tipo 1a e isso, ao que é legitimo deduzir, simultaneamente. Dessarte, o sub-tipo 1b não é produto das mesmas chapas que produziram o sub-tipo 1a após o desgaste delas. Outrossim, desafia contestação a conclusão de que a causa desses defeitos residiu mesmo na matriz, uma vez que jamais foi ela capaz de produzir selos bem gravados, nos quais os ornamentos do lado direito fossem visíveis em sua totalidade, com nitidez. Vale dizer, jamais houve um selo de 100 réis com a linha vertical singela, contínua e os dois florões por ela formados completos, coma seria de desejar, se perfeita fora a matriz. Em resumo: todos as selos de 100 réis, em maior ou menor intensidade, sofrem de deficiência de impressão.
Vale dizer não há o selo de Iinha única íntegra e os dois florões fechados, ou, em outras palavras, não existe aquele que seria o tipo 1 perfeito (Cunho I). Mesmo sem querer intuir que isso se deva a haver a A.B.N. reconhecido, implicitamente, a qualidade insatisfatória da matriz do 100 réis, até porque outras perfeitas, também, o não foram, o fato é não ter sido ela selecionada para figurar entre as amostras preparadas com matrizes de selos do Brasil e de alguns outros países íbero-americanos e de colônias britânicas nas Americas. Essas pequenas folhas, tidas pelos filatelistas como mostruário do serviço feito pelo estabelecimento, eram confiadas aos seus representantes e/ou vendedores para convencer as clientes potenciais da boa qualidade dos trabalhos ali executados. Essas pequenas folhas - amostras - compreendem, além de outros, os selos de 50 e 200 réis de primeira série de "cabeças de lmperador", sem dúvida, as mais bem elaborados dos sete valores. Longe de nós insinuar que o 100 réis não tenha sido eleito para integrar a seleção do mostruário par ter a cunho imperfeito. Concordamos com a escolha feita pelo departamento comercial do banco. Independente das censuras que mereça a matriz do 100 réis, quer, sob a ponto de vista técnico, quer sob a aspecto artístico, a 50 e a 200 réis são, na verdade, as mais bonitos e melhor executados da série e, por isso, mereceram a escolha, a qual é confirmada pelos pares de provas duplas que, o magnifico "Catálogo Enciclopédico de Selos e Historia Postal do Brasil", recém publicado pela Editora RHM Ltda. em meritório trabalho da família Meyer, a cujas duas gerações tanto já deve nossa filatélia, pela primeira vez classifica, denominando-as, provas compostas nacionais - PCN (pág. 140) e numerando-as PCN-1 a PCN-6.
Essas provas duplas (serão mesmo provas da emissão, ou terão sido preparadas com alguma outra finalidade?) tem apenas, as duas denominações usadas nas folhas de amostras. 0 curioso desses pares "se tenant" é procederem, induvidosamente de uma chapa pequena, preparada só para o propósito, pois apresenta, embaixo, centrada entre as dais valores, a legenda "American Bank Note Co. New York", o que prova não serem elas produzidas nem pelos cunhos, "die proofs", nem pelas chapas usadas para imprimir as selos. Não e ousadia, pais, aventar a hipótese de que com a finalidade de servir, apenas, coma mostras, ou qualquer outra, o A.B.N. usou as matrizes do 200 e do 50 reis, o primeiro à direita e a segundo à esquerda, para produzir uma chapa, somente, de um exemplar de cada uma das duas estampas, na qual gravou, na margem inferior, a seu nome, dela fazendo extrair algumas provas em várias cores. Para qual fim não sabemos e difícil será apurar as razões de sua feitura. São conhecidas 6 diferentes: amarelo, rosa, vinho, verde, vermelho e lilás, mas temos idéia de háver visto, não o podendo afirmar, também, uma em preto. Note-se que salvo o verde (usado no 100 réis) e a vermelho (empregado no 10 réis), nenhuma das outras cores foi usada na emissão.
Depois dessas digressões, talvez ornamentais, mas não, de todo, inúteis ao nosso objetivo, é hora de a ele retomar. Acordes em que duas foram as matrizes empregadas quer tenham elas sido dois cunhos diversos, ou o mesmo reforçado em sua Iinhá frágil, força é convir que dois são os tipos do 100 réis, identificados pela linha singela (tipo I) e pela dupla (tipo II). Aceito esse postulado, errada está a classificação de, praticamente, todos os nossos catálogos que identificam como 1-b, exemplares com Iinha dupla egressos das chapas produzidas com a segunda matriz.
Nenhum selo com dupla linha pode proceder de chapas confeccionadas com o cunho original antes de corrigido se é que o foi e, qualquer selo com a linha dupla é do tipo II; procede de chapas confeccionada com a segunda matriz.
Nas primeiras tiragens, determinada chapa, que não logramos identificar se não em todos os seus exemplares, ao menos em alguns deles, a linha única era continua e o florão inferior fechado, configurando o que merece ser chamado, sub-tipo 1a. Este é, fora de dúvida, o mais raro de todos os sub-tipos, uma vez que o desgaste da chapa foi prematuro e logo no início da impressão o sulco pouco profundo deixa de colorir o papel, por não acumular em seu interior quantidade bastante de tinta para fazê-lo. Não é exagero dizer-se que são bem raros os selos desse sub-tipo, sobretudo os exemplares novos, com a linha única contínua e só o florão inferior fechado.
Pelas razões já antes expostas é crível que, simultaneamente, com essa chapa, outra (ou outras?) foi usada e essa mais deficiente, ainda, na qual a Iinha já não é impressa em toda sua extensão e o ornamento de baixo é incompleto, sendo esses os selos do sub-tipo 1b.
Temos, assim que a primeira matriz produziu a tipo I, do qual se destinguem dois sub-tipos.
A matriz II foi a responsável por três outros sub-tipos que nós identificamos 2a, 2b e 2c, nos quais a linha vertical é dupla e que assim se caracterizam: 2a - florões fechados, 2b - florão superior aberto e inferior fechado e 2 c - ambos as florões abertos.
A nosso ver, as chapas responsáveis por essas variantes de impressão do tipo II são as mesmas. Foi o uso que determinou a progressivo apagamento da impressão. Na medida em que foram sendo usadas, se foram fazendo gastas e o sulco responsável pela impressão da linha se foi tomando tão raso que já não acumulava tinta para imprimir o contorno do ornamento. Primeiro a florão superior deixou de ser completo e, a seguir, também, o inferior. Ao contrário do ocorrido com a tipo I, no qual, como vimos, chapas diferentes, em uso concomitante, geraram os tais sub-tipos.
A corroboorar nossa tese há uma curiosa peça em que se alternam os sub-tipos 2b e 2c. E um bloco de 6 selos (3 x 2) em que as 1o, 2 o , 3 o e 5 o são 2 b, enquanto a 4 o e 6 o são 2c.
Em data incerta, mas certamente, bem antes de 1878, foi feito o segundo cunho, ou recuperado a original e com ele preparadas novas chapas. Dizemos ter sido sua feitura anterior a 1878, data em que nos foram remetidos os "percés", porque muitos dos picotados, taIvez a maioria deles já foi impressa com tais chapas. Mesmo sem termos feito uma apuração séria dos percentuais de cada um, podemos asseverar ser aquele com a linha dupla proveniente das chapas executadas com a matriz nova, ou refeita mais comuns que qualquer dos sub-tipos do cunho de Iinhá única.
Essas nossas afirmações deverão ser entendidas coma aplicadas ao 100 réis picotado (1866), uma vez que quanto ao da emissão subsequente, 1876, "percé", no que concerne a freqüência de cada sub-tipo, a realidade é outra como veremos adiante, pasta na sua feitura haverem sido usadas, preponderantemente, chapas preparadas com a matriz a que se deve a tipo II.
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