• MÁXIMO POSTAL: O QUE É E COMO É
    por A. Luigi Morera

    Com o auxílio dos máximos postais, podemos facilmente aumentar o nosso campo de interesses, o nosso conhecimento e a nossa cultura. Assim termima um longo e interessante artigo de Andrew Steiner, publicado no semanário filatélico norte-americano Linn's Stamps News.

    0 referido artigo coloca em destaque a popularidade adquirida pela Maximafilia após o reconhecimento oficial dessa modalidade de colecionismo pela Federação Internacional de Filatelia (FIP) e os sucessos obtidos pelo postal máximo em exposições internacionais. Em fins de 1978, a revista dos temáticos norte-americanos "TOPICAL TIME" publicou um artigo intitulado "Aeroporto Le Bourget, Paris 21 de marco de 1927... também estive lá" com o qual recordei, mediante uma apropriada documentação maximafílica, as emoções vividas na realização da histórica travessia do Atlântico efetuada por Charles Lindberg.

    O artigo marcou o despertar do longo sono em que tinha caído a Maximafilia norte-americana; após o desaparecimento da Maximum Card Society of America (Sociedade de Máximos Postais da America). Notei, entretanto, especialmente na correspondência, como a regra mais elementar da Maximafilia estava ignorada nos Esta-dos Unidos. Com o objetivo de sanar essa falta de informações, Donald B. Brenke abordou esse assunto no artigo "0 Máximo Postal: o que é e como é".

    O titulo do artigo reflete as experiências feitas por Brenke durante muitos anos de atividades maximafílicas, fomecendo noções úteis aos leitores americanos, podendo, também, interessar colecionadores de outros países como complemento de um conhecimento técnico e de pesquisa, de comparação e de evolução. Por essas razões, me detenho no mais importante, já que os máximos postais são, talvez, os enteados mais incompreendidos da Filatelia.

    Alguns colecionadores, ao ouvirem esta expressão pela prinieira vez, são induzidos a pensar que se trata de um cartã-postal gigante, de dimensões enormes. Na realidade, os máximos postais são, na sua grande maioria, menores que um envelope, porque, normalmente, são confeccionados em caráter comercial.

    O termo máximo, evidentemente, se refere a relação de concordância entre a imagem do selo e a do cartão-postal. Essa denominação vem justificada pelo fato de que os três elementos constitutivos, selo, cartão-postal e carimbo apresentam, entre si, o máximo de concordância possível.

    Alguns máximos postais antigos provêm do simples coleções de cartões-poslais, olhados com particular interesse devido ao selo ou carimbo colocados anteriormente. Durante o século passado, os filatelistas deram início a essa modalidade de colecionismo ao inserirem em suas coleções envelopes e cartões-postais ou, ainda, programas de manifestações especiais, selados e carimbados.

    Os máximos postais são raramente produzidos em grande quantidade devido a sua trabalhosa preparação. Frequentemente, o problema mais desencorajador é encontrar um cartão-postal adequado a um determinado selo, o chamado "suporte". E, ainda, depois que o cantão-postal é encontrado o colecionador deve conhinuar seu trabalho para se assegurar de que o selo e o carimbo postal poderão ser colocados na face brilhante e ilustrada do cartão. A seguir, evidentemente, com o cartão já selado, deve providenciar a sua obliteração. É, de fato, quase impossível, e isto por razões de conservação, que o máximo postal possa ser enviado como conrespondência ordinánia pelo Correio.

    Esses cuidados na preparação de um máximo postal explicam o porquê da existência de um número tão restrito de tais peças. Na maioria dos casos, trata-se de um trabalho que envolve paixão por parte dos colecionadorcs, tendo em vista que um comerciante raramente dispõe de tempo suficiente para a sua preparação.

    As fontes mais comuns e, sob um certo ângulo, mais fáceis para a descoberta de cartões-postais que, depois, podem ser transformados em máximos, são os museus, as galerias de ante e as casas do souvenirs. O carimbo mais adequado para o máximo postal é o do primeiro dia. Naturalmente, qualquer carimbo pode ser válido. Mas, repito, para se ter a garantia de que ele é aplicado do modo claro e nitido, é oportuno, primeiro, informar-se sobre a capacidade de carimbar do empregado dos Correios.

    Essas minhas reflexões, naturalmente, referem-se a preparação do máximo postal norte-americano. Isso porque, obviamente, cada país tem seu próprio regulamento podendo variar muito de um para outro. No decorrer dos últimos anos, os Correios do Canadá, por exemplo, mantiveram um veto no que se refere a obliteração do máximo postal, exceção feita no caso dos carimbos especiais, manuais, em uso nos guiches filatélicos. Dificuldades são encontradas também na Inglaterra. Os Correios ingleses, como se sabe, aplicam o carimbo sobre o cartão-postal somente se ele estiver endereçado e apresentar uma racional concordância entre a imagem do cartão e a do selo. Por isso, os máximos postais ingleses devem passar pelo processo da expedição de correspondência comum, não sendo permitida a imediata restituição do objeto obliterado "brevi manu". Tal obstáculo pode ser contornado e superado direcionando o cartão-postal ao próprio endereço para ser obliterado na agência de Correios. Com esse artificio, o cartão-postal pode ser recebido no dia seguinte ao da obliteração.

    Respeitando esses procedimentos básicos, a criação de máximos postais interessantes e cheios de colorido é limitada somente pela capacidade inventiva de cada um de nós, tendo, naturalmente, por meta, a máxima concordância entre selo, cartão-postal e carimbo. 0 local da agência postal e a data também devem possuir a mais possível e direta concordância com o motivo do selo e do cartão-postal. A propósito do cartão-postal, é bom indicar que os tipos básicos são dois: os cartões comuns ilustrados, do tipo comercial, e os emitidos pelos Correios ou associações filatélicas. Mais de uma vantagem apresentam os impressos pelas organizações filatélicas. A disponibilidade, antes de tudo, e a uniformidade do estilo e da qualidade. Todavia, os melhores "suportes" são, ainda, os cartões do comércio. Indubitavelmente, atraem maior interesse do que aqueles confeccionados "ad hoc", além de estarem mais de acordo com o regulamento dos máximos postais.

    No que diz respeito aos Estados Unidos, os máximos postais parecem estar limitados as aquisições de forma descontínua junto aos comerciantes que os fornecem. Nos útltimos tempos, com o intuIto de superar essa dificuldade, alguns colecionadores se especializaram na preparação de máximos postais. Trata-se de um trabalho ainda nascente, que necessita de uma coordenação. Coordenação há algum tempo atrás garantida pela Maximum Card Society of America e que, agora, precisa ser retomada.

    (Traduzido e adaptado da Revista CRONiCA FILATELICA, N.0 47, novembro de 1980)


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